Eu já aviso logo, Coração de Mãe chega daquele jeito que novela turca gosta, te abraça com maternidade e te dá um empurrão emocional sem pedir licença. No primeiro capítulo, Karsu entra em trabalho de parto e dá à luz a pequena Selin, enquanto a família tenta posar de felicidade organizada, aquela calma que dura pouco e só serve para enganar o espectador desavisado.
Filiz aparece no hospital para conhecer a neta, Tilsim e Kuzey veem a irmãzinha pela primeira vez, e Karsu percebe o ciúme do menino, porque novela nenhuma perde a chance de plantar conflito desde o berçário. Reha, o marido, já mostra sinais de impaciência com o choro da recém nascida, aquele comportamento que a gente olha e pensa, isso ainda vai dar problema.

Exausta e sem apoio, Karsu pede à mãe que leve Kuzey por alguns dias para Istambul. A decisão parece prática, quase sensata, até que Filiz se distrai durante uma parada no terminal rodoviário. A partir daí, minha gente, o capítulo vira outra coisa. Um erro muda completamente o rumo da família e transforma aquele começo de vida em desespero puro.
No mesmo lugar, uma jovem que tenta se recuperar de uma grande perda passa a acreditar que está diante de um milagre. Três anos se passam, Selin vê a mãe chorando, Sukran tenta consolar a nora, e Filiz encara a irmã Turkan, que não perde a chance de alfinetar. Karsu, cada vez mais determinada, procura a ajuda de um policial aposentado.

Eu assisti com aquele olhar treinado de quem já viu muita desgraça ficcional e digo sem medo, Coração de Mãe estreia jogando pesado na emoção, plantando culpa, silêncio e ferida aberta logo de cara. É novela que começa pedindo colo e termina te deixando em alerta, do jeito que o público da Record gosta.