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Kátia Flávia
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Conheça o “Lula do Bem”, sósia do presidente que anda com Bolsonaro e tem dívidas de R$ 755 mil com a União

Vereador bolsonarista teve candidatura liberada pelo TRE-SP, recebeu R$ 300 mil do PL e já foi alvo de ação do MPF

Kátia Flávia

01/09/2026 14h35

Célio José de Morais, conhecido como “Lula do Bem”, posa ao lado de Jair Bolsonaro

Célio José de Morais, conhecido como “Lula do Bem”, posa ao lado de Jair Bolsonaro

Célio José de Morais, médico cardiologista e vereador de Jaboticabal, no interior de São Paulo, ganhou fama nas redes como “Lula do Bem” por sua semelhança física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonarista, ele agora disputa uma vaga de deputado federal pelo PL com R$ 755 mil inscritos na Dívida Ativa da União, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Com o almoço finalmente servido depois do telefone ter feito a minha panela quase pedir socorro, sentei à mesa e fui entender essa história. Porque não basta ser sósia de Lula: o homem circula com Bolsonaro, recebe apoio de Valdemar Costa Neto e escolheu justamente “Lula do Bem” como nome de urna. É uma montagem de personagens que o Brasil entregou sem nem precisar de autor de novela.

Do total inscrito em dívida ativa, R$ 513 mil são débitos previdenciários. A informação veio à tona no momento em que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) liberou o registro da candidatura de Célio, apesar de a Procuradoria Regional Eleitoral ter pedido a impugnação.

O MPF argumentou que o nome poderia sugerir parentesco com o presidente e que a expressão “do Bem” carregaria uma mensagem ideológica e um juízo de valor. O TRE-SP, porém, rejeitou o pedido no domingo (31), e o candidato está autorizado a concorrer.

Acompanhei os grupos enquanto tentava, enfim, comer uma garfada em paz, mas esse apelido não deixa ninguém em paz. Célio se projetou entre bolsonaristas justamente explorando a imagem parecida com a de Lula e participou de manifestações ao lado de Jair Bolsonaro em 2025. Em março, Valdemar Costa Neto gravou um vídeo ao lado dele e declarou: “Nós precisamos de gente como ele aqui em Brasília, para trabalhar para o povo”.

A situação dos débitos também tem uma história anterior. Em 2006, o MPF abriu uma ação penal contra Célio por apropriação indébita previdenciária e crime continuado. A acusação tratava de contribuições descontadas de empregados ou terceiros que, segundo o processo, não teriam sido repassadas à Previdência dentro do prazo legal.

O caso ficou suspenso durante anos porque os débitos entraram em parcelamento. Depois, o crédito tributário foi cancelado administrativamente por prescrição, quando o Estado perde o prazo legal para fazer a cobrança. Com isso, o MPF apontou perda de interesse na continuidade da ação penal. Não houve condenação no processo.

A campanha de “Lula do Bem” declarou ainda R$ 300 mil recebidos do diretório nacional do PL. A equipe do candidato foi procurada para comentar os débitos e não respondeu.

Terminei o almoço olhando para a tela e pensando que, nesta eleição, até o sósia vem com enredo, dívida, partido e bênção de cacique. O Brasil realmente não trabalha com participação especial.

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