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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Congresso dos EUA investiga Fifa após relação de Infantino com Trump levantar suspeitas na Copa

Kátia Flávia

28/07/2026 12h45

Gianni Infantino e Donald Trump tiveram a relação colocada sob escrutínio pelo Congresso dos EUA

Gianni Infantino e Donald Trump tiveram a relação colocada sob escrutínio pelo Congresso dos EUA

A relação entre Gianni Infantino e Donald Trump entrou oficialmente na mira do Congresso dos Estados Unidos. O deputado democrata Jamie Raskin pediu que o presidente da Fifa entregue documentos e preste esclarecimentos sobre contatos, presentes, pagamentos e outros benefícios envolvendo a entidade, Trump, familiares e integrantes de sua administração.

Eu já tinha chegado a Niterói, mais cedo que o horário da prova de roupas, e atravessei a calçada da Rua Ator Paulo Gustavo com os óculos de armação tartaruga e as unhas vermelhas recém-feitas. Parei diante da vitrine do ateliê de roupas, deixei a tote preta no sedã e fui ler a notícia: cartola, presidente, prêmio, Trump Tower e uma lista de mensagens que inclui até WhatsApp, Signal e Truth Social.

Raskin quer receber até 9 de agosto todos os registros de contato entre a Fifa, Trump, a administração americana e a Trump Organization. Também pediu listas de visitantes dos escritórios da entidade em Miami e na Trump Tower, em Nova York, além da preservação de conversas em aplicativos com mensagens temporárias.

O Congresso questiona uma sequência de gestos entre os dois. A Fifa concedeu a Trump o recém-criado Prêmio da Paz da entidade, alugou espaço na Trump Tower e transferiu o sorteio do Mundial de Las Vegas para o Kennedy Center, em Washington, administrado por aliados do presidente.

O caso mais barulhento envolve Folarin Balogun. Trump telefonou para Infantino para questionar a suspensão do atacante da seleção americana, expulso numa partida da Copa. Pouco depois, a Fifa liberou o jogador para atuar, embora tenha afirmado que a decisão foi tomada por órgãos independentes.

A carta de Raskin não conclui que houve irregularidade, mas quer investigar se a proximidade entre Infantino e Trump influenciou decisões da Fifa ou do governo americano. O deputado também pediu que o dirigente compareça a uma entrevista formal no Comitê Judiciário da Câmara.

A Casa Branca reagiu exaltando a Copa e atribuiu à “visão e liderança” de Trump a receita bilionária e a segurança do torneio. A Fifa ainda não apresentou publicamente os documentos solicitados.

Guardei o celular e olhei outra vez para a vitrine do ateliê. Ibiza ainda é assunto para as 14h30, mas a Fifa parece ter entrado numa fase em que até o camarote da política internacional quer saber quem pagou a conta, quem ganhou presente e quem mandou mensagem para quem.

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