Amores, assim que eu li que o Concurso Brasileiro de Cervejas chegou a 2,7 mil rótulos inscritos, minha cabeça saiu do eixo e foi direto para Blumenau. Porque isso não é só avaliação técnica, é o grande encontro anual de ego, ambição e copo bem servido. A partir de 28 de fevereiro, a cidade vira capital emocional do lúpulo e eu me recuso a fingir que não quero estar lá observando tudo como quem assiste final de reality.
O crescimento do concurso diz muito mais do que os números frios. Sete vírgula cinco por cento a mais de rótulos, mais estilos na disputa e um mercado inteiro querendo selo para colar no rótulo e justificar preço, prestígio e presença em carta de bar importante. Medalha aqui não é enfeite, é argumento de venda e passaporte para outro patamar.
Os estilos que lideram continuam os queridinhos do público, com American IPA puxando a fila, seguida de Catharina Sour, Session IPA e American Lager. Mas o que realmente me deixou animada foi olhar para as categorias que explodiram. Gluten Free cresceu setecentos por cento, porque o brasileiro decidiu que quer saúde sem abrir mão do brinde. Sem álcool também avançou, porque ninguém aguenta mais ressaca todo fim de semana. E as cervejas maturadas em madeiras brasileiras cresceram bonito, entregando brasilidade, discurso e diferenciação no mesmo gole.

Eu imagino o clima nos bastidores. Cervejeiro suando frio, marca pequena apostando tudo naquela avaliação, dono de cervejaria fingindo costume enquanto confere resultado com a mão tremendo. O organizador Carlo Bressiani, da Escola Superior de Cerveja e Malte, fala sério sobre jurados, credibilidade e técnica, e eu só penso que ali se decide o destino de muita empresa artesanal.
E como se não bastasse, o concurso ampliou a parceria com o World Beer Awards, aumentou descontos para cervejas premiadas e ainda incluiu um estilo novo, Manipueira Selvagem, fermentada a partir da mandioca. Isso é o Brasil dizendo “sei beber, sei criar e sei regulamentar”.
Depois da premiação, vem a parte que eu mais respeito. Festival, degustação, público, fila no estande e cervejaria transformando medalha em caixa, foto, convite e matéria. É ali que o prêmio vira dinheiro e reputação.
Estado atual da colunista. Já estou escolhendo look confortável chic, justificando a viagem como compromisso profissional e avisando que vou analisar o mercado de perto. Porque esse concurso não é só cerveja. É vaidade, estratégia, prazer e negócio servidos no mesmo copo. E eu não perco isso nem com água.