Eu confesso que isso me deixa em estado de choque elegante. Num mundo onde ator acorda, posta café, posta treino, posta opinião e posta briga, Wagner Moura escolheu desaparecer do feed e aparecer no cinema. E funcionou. Funcionou muito.
Enquanto colegas da temporada de prêmios disputam engajamento como se fosse prova do líder, Wagner atravessa Cannes, Globo de Ouro e Oscar vivendo offline, como quem diz “me procurem na tela”. Não é birra recente, nem jogada esperta de marketing. Ele nunca teve rede social. Nunca quis. E manteve a decisão mesmo depois de O Agente Secreto transformar o nome dele em assunto global.
O resultado é raro. Um dos atores mais comentados do planeta sem vida pública digital, sem stories explicando bastidor, sem nota de esclarecimento no feed. A imagem dele circula por cenas, entrevistas pontuais e escolhas de papel. Em vez de rotina, obra. Em vez de presença constante, impacto.
Wagner já disse que se preserva das redes porque ali mora muito ataque, muito ruído e pouca escuta. Ele se importa com o debate político, mas não quer passar o dia engolindo ódio gratuito. Também não compra a vitrine plastificada onde todo mundo performa felicidade permanente. Aos quase 50 anos, prefere construir vínculo com o público pelo trabalho, não pelo algoritmo. Luxo emocional, meu amor.
Essa recusa em virar personagem de si mesmo vem desde Tropa de Elite, passou por Narcos e só se intensificou com a politização da figura pública dele. Mesmo assim, Wagner aceita o preço de não controlar a própria narrativa em tempo real, algo que hoje quase ninguém topa pagar.
A ausência nas redes gerou perfis falsos, frases inventadas e avisos públicos reforçando que ele não tem conta oficial. Ainda assim, o controle existe. Ele vigia a própria imagem por assessoria, amigos e imprensa, sem usar as plataformas para se promover. Delimita onde termina o ator real e onde começa a caricatura alheia.

Na temporada de prêmios, quem faz o papel de rede social são os festivais, os tapetes vermelhos, as entrevistas internacionais e as matérias em veículos gigantes. Cada aparição vira conteúdo replicado por fãs e páginas dedicadas. Só que o foco muda. Em vez de café da manhã, cena forte. Em vez de look do dia, discurso. Em vez de rotina, escolha artística.
O efeito colateral é delicioso. Quanto menos ele aparece, mais peso cada fala carrega. Cannes, Globo de Ouro, Oscar. Nada banaliza. Nada vira ruído.
Em plena era da superexposição, Wagner Moura constrói fama global vivendo offline. Hollywood estranha. O público respeita. E eu, Kátia Flávia, bato palma com a unha feita.