Amores, vamos falar a verdade nua, crua e de salto alto. Enquanto a elite da televisão torcia o nariz para subcelebridade, ex-reality e escândalo de madrugada, Luciana Gimenez já estava sentada no sofá do Superpop da RedeTV! transformando esse povo em produto, narrativa e dinheiro.
Quando o programa estreou na RedeTV!, em 2001, o rótulo veio pesado. Sensacionalismo, exagero, exposição, convidados que a TV dita séria não queria nem cumprimentar no corredor. Ex-BBB, modelo, dançarina, figura excêntrica, cancelado da semana. Tudo jogado no mesmo caldeirão. E ali, meus amores, Luciana aprendeu a domar o caos.
A mágica nunca foi gritar. Foi sorrir. Com pose de socialite internacional, ela fazia perguntas aparentemente ingênuas que empurravam o convidado direto pro precipício da confissão. Não precisava humilhar. Bastava deixar falar. A plateia julgava, os comentaristas temperavam, o barraco vinha embalado em debate. Cirurgia, traição, fetiche, sexo, religião. Tudo com verniz de discussão séria e prazer assumido do espetáculo. Era bagaceira, sim. Mas era bagaceira chique.

O tempo passou e o que era tratado como baixaria virou padrão. Programas de auditório, realities, revistas eletrônicas e entrevistas noturnas começaram a reproduzir exatamente a fórmula do Superpop. Confronto de estilos de vida, moralismo contra libertinagem, conservador contra liberal, cancelado pedindo redenção. Todo mundo copiando como se tivesse inventado ontem.
E aí veio a internet pra esfregar na cara de geral. Podcast, corte viral, entrevista longa, choro calculado, revelação sobre sexo, família, cancelamento. Isso tudo já estava lá, anos antes, com plateia, câmera fechando no rosto e Luciana mediando o circo. Hoje, vídeos antigos do programa rodam TikTok e YouTube como se fossem conteúdos premium da nova era.

Luciana sai da emissora, mas deixa um legado impossível de apagar. O país inteiro segue consumindo o entretenimento que ela legitimou. Mudou o cenário, mudou a plataforma, mudaram os nomes. A essência é a mesma.
No fim das contas, o “baixo clero” venceu. E venceu de salto, close e audiência.