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Kátia Flávia
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CNN Brasil vai a Busan cobrir decisão da UNESCO sobre Teatros da Amazônia

A emissora enviou a repórter Aline Narimoto à Coreia do Sul para acompanhar a 48ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, onde entra em análise a candidatura que une o Teatro Amazonas e o Theatro da Paz. E, já que o avião ia mesmo, ela volta com pauta de cultura coreana na bagagem.

Kátia Flávia

24/07/2026 9h49

Aline Narimoto, da CNN Brasil, está em Busan para acompanhar a sessão da UNESCO que analisa a candidatura dos Teatros da Amazônia.

Aline Narimoto, da CNN Brasil, está em Busan para acompanhar a sessão da UNESCO que analisa a candidatura dos Teatros da Amazônia.

Estava eu na academia, na terceira série de glúteo, naquele momento em que a pessoa jura que vai desistir da vida fitness e comprar uma calça um número maior, quando o telefone tocou. Era o pessoal da CNN Brasil. Larguei o agachamento no meio, sentei no banco do supino alheio e ouvi tudo com a maior cara de quem estava só descansando. O rapaz do treino ao lado me olhou torto. Que olhe. Notícia boa não espera repetição.

A emissora enviou a repórter Aline Narimoto à Coreia do Sul para cobrir a 48ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, realizada em Busan. A jornalista participa do Global Media Invitation Program, iniciativa do governo sul-coreano que reúne veículos internacionais para acompanhar o principal fórum mundial dedicado à preservação do patrimônio cultural e natural. Traduzindo para quem está lendo isso na fila do café: é a reunião em que se decide o que o planeta inteiro concorda em proteger.

E o Brasil tem carta na mesa. Um dos destaques da cobertura será a análise da candidatura Teatros da Amazônia, que junta o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, na disputa pelo título de Patrimônio Mundial. A decisão está prevista para os próximos dias e, se sair favorável, amplia uma lista brasileira que hoje soma 25 bens inscritos. Reparem no detalhe geopolítico que ninguém comenta: os dois teatros são filhos do ciclo da borracha, foram erguidos com dinheiro que saiu da floresta, e agora concorrem ao selo máximo de preservação do mundo poucos meses depois de Belém ter sediado a COP30. A Amazônia saiu do noticiário ambiental e entrou no de ópera.

Aline Narimoto, da CNN Brasil, está em Busan para acompanhar a sessão da UNESCO que analisa a candidatura dos Teatros da Amazônia.
Aline Narimoto, da CNN Brasil, está em Busan para acompanhar a sessão da UNESCO que analisa a candidatura dos Teatros da Amazônia.

Agora a leitura de bastidor, que é o que me interessa de verdade. Além das sessões e das decisões do Comitê, a repórter vai produzir conteúdos especiais para o K-tudo CNN, editoria multiplataforma dedicada à cultura coreana, com gravações em Busan, Seul e Gyeongju, incluindo locais reconhecidos pela própria UNESCO. Ou seja: uma passagem paga a peso de ouro rende cobertura institucional pesada e, na mesma viagem, material para a audiência que consome K-pop, K-drama e skincare de dez etapas. Redação nenhuma manda repórter para o outro lado do mundo hoje em dia por um único assunto, e quem sai ganhando com essa aritmética é o governo sul-coreano, que convida a imprensa internacional e recebe de volta semanas de conteúdo simpático sobre suas cidades. Soft power funciona assim, com passagem aérea e roteiro pronto.

O que eu quero saber é se alguém avisou a moça que ela vai passar dias trancada num centro de convenções ouvindo delegação discutir critério de tombamento antes de conhecer Gyeongju. Se ela voltar com o título para os nossos teatros, eu mesma pago o jantar. Se voltar só com máscara facial coreana, também aceito.

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