Eu confesso que adoro quando o sertanejo resolve largar o figurino de hits e sentar no sofá para falar de vida real. E foi exatamente isso que aconteceu no Viver Sertanejo deste domingo. Cleiton & Camargo apareceram naquele modo raiz emocional, lembrando como tudo começou e entregando histórias que não costumam caber em palco de show.
Cleiton contou que antes de se render ao sertanejo era fã assumido de hip hop. A guinada veio aos poucos, quase sem pedir licença, até o momento em que ouvir “É o Amor” virou chave definitiva. Essas viradas de roteiro que só a música explica. Camargo entrou na conversa com histórias divertidas envolvendo fãs e a confusão recorrente por ser irmão de Zezé Di Camargo. Segundo ele, a semelhança rende situações curiosas até hoje.
No repertório, a dupla fez o que sabe fazer melhor. Cantou “Quando o Amor se Faz” e “Na Hora de Amar”, com aquele clima de estrada longa e repertório vivido. Nada apressado, nada fabricado.
A noite também foi de comemoração para Léo Magalhães, que celebrou 20 anos de carreira no mesmo programa. Ele revisitou o começo precoce na música, lembrou o primeiro álbum e se emocionou ao falar do nascimento do filho, um desses momentos que mudam tudo por dentro. No palco, apresentou “Locutor” e “24 Horas”, mantendo o clima de lembrança afetiva que tomou conta da edição.
Apresentado por Daniel, o Viver Sertanejo apostou menos em performance e mais em história. Resultado: um programa que deixou o brilho de lado para mostrar trajetória, família e escolhas que atravessam gerações. E eu, claro, adorei ver sertanejo falando de vida sem pressa e sem maquiagem emocional.