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Kátia Flávia
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Cleitinho fica fora da disputa para governador em Minas Gerais

As executivas estadual e nacional do Republicanos assinaram uma nota tirando o senador da corrida ao governo mineiro nesta quarta, horas depois de ele publicar um vídeo dizendo que seguiria na missão. O partido levou meses esperando uma resposta e resolveu bater o martelo justamente na semana em que a pesquisa mostrou que ele ganharia de todo mundo.

Kátia Flávia

29/07/2026 11h38

Republicanos oficializou a retirada de Cleitinho da disputa pelo Governo de Minas Gerais, mesmo após o senador sinalizar que seguiria candidato.

Republicanos oficializou a retirada de Cleitinho da disputa pelo Governo de Minas Gerais, mesmo após o senador sinalizar que seguiria candidato.

Eu estava almoçando em Madri, contando os minutos para o voo de Ibiza, quando o telefone começou a tocar sem parar. Passei o resto da refeição ligando para Minas Gerais e para Brasília com o café esfriando na frente. O senador que lidera todas as pesquisas do segundo maior colégio eleitoral do país acabou de ser retirado da disputa pelo próprio partido, e a conta dessa história não fecha em nenhum lugar.

A nota saiu nesta quarta (29), assinada em conjunto pelas executivas estadual e nacional do Republicanos. O texto diz que a ausência de Cleitinho na convenção estadual, apesar das justificativas pessoais, representou um “fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”. O partido afirma que trabalhou duro para viabilizar a candidatura e que faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”. O presidente nacional, Marcos Pereira, já tinha dado o veredito ao O GLOBO antes da nota: “Acho que ele perdeu o timing. Foi dada a oportunidade de ele ir na convenção e não foi”.

A cronologia explica o tamanho da irritação. Cleitinho adiou a definição pelo menos quatro vezes ao longo do ano, chegou a dizer que responderia depois da final da Copa, e Marcos Pereira traduziu isso publicamente como 20 de julho. No dia 18, o irmão caçula do senador, Matheus Augusto Azevedo, de 34 anos, morreu em decorrência de leucemia. No sábado (25), a convenção estadual homologou apenas as candidaturas proporcionais, adiou a majoritária e delegou a decisão ao diretório estadual, que tem até 5 de agosto para registrar o nome do partido. Cleitinho não apareceu.

Na terça (28) veio a pesquisa que virou o assunto do estado. A Genial/Quaest ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, com margem de três pontos e registro MG-03490/2026, e mostrou Cleitinho com 35% no cenário principal, contra 12% de Alexandre Kalil (PDT), 10% de Patrus Ananias (PT), 6% a 7% do governador Mateus Simões (PSD) e 4% de Gabriel Azevedo (MDB). Nos cenários de segundo turno, ele ganhava de Kalil por 44 a 29, de Patrus por 46 a 31 e de Simões por 46 a 15. Sem o nome dele na urna, a disputa fica embolada e os indecisos disparam.

Na noite dessa mesma terça, Cleitinho publicou nas redes um vídeo de cerca de 50 segundos feito com inteligência artificial, no qual encontra o pai, José Maria Azevedo, morto em 2024, e o irmão Matheus. Na cena, ele diz estar inseguro, em dúvida e com medo, e recebe do irmão a bandeira de Minas Gerais com a frase “vá e faça o que precisa ser feito”. A legenda foi “Seguirei na missão”. Os irmãos do senador, o deputado estadual Eduardo Azevedo e o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, trataram o vídeo publicamente como confirmação da candidatura. Vinte e quatro horas depois, o partido publicou a nota dizendo que a decisão nunca aconteceu.

Quem herda a vaga é Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Governo de Minas Gerais, que teve o apoio do Republicanos oficializado em reunião por videoconferência com Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira. Aro seria candidato ao Senado na chapa de reeleição de Mateus Simões, mas a chegada de Carlos Viana ao PSD atrapalhou o arranjo e ele migrou para o governo. Detalhe que ninguém em Minas Gerais esqueceu: foi exatamente Marcelo Aro que Cleitinho derrotou na eleição para o Senado em 2022. E a relação do senador com a cúpula do próprio partido já vinha estremecida desde junho, quando ele declarou publicamente que não confiava totalmente em Marcos Pereira.

Até agora, o senador não falou. O último ato público dele continua sendo o vídeo de terça, e o partido que ele acusou de não confiar acabou de decidir por ele. Se Cleitinho aceitar, Minas Gerais perde o favorito da corrida por uma questão de calendário. Se não aceitar, o Republicanos vai descobrir nos próximos seis dias o tamanho do barulho que 35% das intenções de voto conseguem fazer.

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