Amores, senta que a Kátia conta, porque esse Carnaval entregou um daqueles momentos que entram para o meu arquivo mental chamado “gente passando vergonha em alta definição”.
Eu estava mentalmente no bloco Virgens de Tambaú, salto imaginário fincado na Avenida Epitácio Pessoa, quando Claudia Leitte, a loira dourada do axé corporativo, resolveu trocar o sorriso de capa de revista pelo olhar de professora que perdeu a paciência com aluno folgado. E foi lindo de ver.
Do alto do trio, Claudia percebeu um cidadão em um camarote ali do lado, fazendo gestos obscenos com a convicção de quem acha que camarote compra imunidade moral. Comprou ingresso, mas esqueceu de adquirir educação básica. Resultado, levou resposta ao vivo, sem edição, sem filtro, com direito a frase pronta para virar estampa de camiseta: “A gente só dá o que tem”.
Eu confesso, vibrei. Porque Claudia não levantou a voz, levantou o tom civilizatório. Disse que diferenças existem, desrespeito não entra no repertório, mandou um “Que Deus te abençoe” com aquela doçura que corta mais que bronca. Psicanálise de boteco total. Quem entende, entende.
Só que o folião insistiu no papel de figurante inconveniente, continuou nos gestos, achando que estava rendendo close. Rendeu foi expulsão. Os fãs, já em modo segurança privada não credenciada, resolveram que o show tinha limite e o rapaz acabou empurrado para fora do camarote. Cena digna de reality show de confinamento, só que sem direito a voto do público.
O vídeo correu as redes, claro. Carnaval sem vídeo viral é ensaio geral. Claudia seguiu cantando, o bloco seguiu andando e o rapaz seguiu sem plateia, que é o destino natural de quem confunde festa com licença para ofender.
Moral da história, meus amores, camarote não blinda caráter, trio elétrico também educa e Claudia Leitte provou que dá para manter o rebolado, a fé e o limite tudo no mesmo compasso. Eu, Kátia Flávia, aplaudi de pé, com glitter na alma e zero paciência para folião sem noção.