Amigas, estava saindo da academia no Leblon, suada, plena, foco no glúteo e zero paciência para o mundo, quando dou de cara com um vídeo da Wanessa Wolf. A revelação de 2023. Inteligentíssima, debochadíssima, engraçada até quando pisa na jaca. E ali, sem rodeio, assumindo que errou com Cláudia Leitte.
Claro que não deu outra. Telefone na mão, ligação em série para as amigas do Cosme Velho. Porque é unânime. Todo mundo ama a Vanessa. Todo mundo ama a Claudinha. E todo mundo ama ainda mais quando alguém tem a elegância rara de dizer “passei do ponto”.
A cantora Cláudia Leitte notificou extrajudicialmente a influenciadora Wanessa Wolf depois de uma live que saiu do tom e foi parar no vale-tudo verbal. Teve xingamento, teve apelido atravessado e teve aquele momento clássico em que o celular grava mais rápido do que o bom senso pensa.
A notificação foi direta. Retira o conteúdo. Ponto. Nada de poesia jurídica, só o aviso prévio de que opinião não é salvo-conduto para ofensa. Tradução livre. Criticar é esporte olímpico, xingar é cartão vermelho.
Wanessa respondeu do jeito mais humano possível. Admitiu que saiu da casinha, reconheceu o exagero e disse que removeu o material após a intimação. O discurso veio com pedido de desculpas e um limite bem desenhado. Discordo de tudo, da música às posições, mas respeito é o mínimo para dividir a calçada social sem tropeçar no outro.
É o velho samba da convivência. Dá pra desafinar na crítica, mas quebrar o instrumento não cola. Live não é mesa de bar às três da manhã, apesar de às vezes parecer. A diferença é que, no bar, o eco morre ali. Na internet, ele ganha advogado.
O episódio deixa uma lição útil para quem vive de opinião em tempo real. Falar é fácil. Sustentar é outra história. Quando a fala vira ofensa, o silêncio passa a ser estratégia e a retirada, um freio de mão puxado em plena descida.