Amores, hoje eu escrevo com o coração apertado e o salto afundado na lama. Juiz de Fora, essa cidade querida, elegante no afeto e sempre tão próxima da nossa vida, vive dias que ninguém queria narrar. Juiz de Fora e Ubá viraram cenário de alagamentos, deslizamentos e perdas que ninguém ensaia enfrentar.
E é nesse enredo duro que entram os Legendários. Mais de 250 voluntários mobilizados, somando os cerca de 80 que já estão em campo há mais de 96 horas com outros 140 que chegam para reforçar as operações. Gente que não apareceu para foto bonita, mas para colocar o pé na lama, dividir o cansaço e encarar a parte mais ingrata da história.
As equipes atuam em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e autoridades locais, concentrando esforços nas áreas mais atingidas. Bairros como Paineiras e Bom Jardim vivem dias de tensão, com buscas por desaparecidos, remoção de entulhos e apoio direto às famílias que perderam tudo ou quase tudo.
O coordenador do movimento na região, Gustavo Aguiar, acompanha de perto esse drama sem intervalo. Segundo ele, os voluntários seguem trabalhando de forma contínua nas buscas e no suporte às equipes oficiais. Um corpo já foi localizado, e as operações continuam na tentativa de encontrar outras vítimas. As famílias, além do medo, enfrentam a perda de casas, bens e qualquer sensação de normalidade.
Além do trabalho físico pesado, os Legendários também articulam uma rede de solidariedade fora das áreas de risco. A arrecadação de água potável, alimentos não perecíveis, roupas, produtos de limpeza, itens de higiene pessoal e apoio financeiro emergencial se tornou essencial para atender quem ficou sem nada.
Juiz de Fora vive uma fase mais intensa de buscas e resgates. Ubá enfrenta o desafio da limpeza das casas atingidas, do apoio a abrigos e da distribuição de água e alimentos. Dinâmicas diferentes, sofrimento compartilhado.
No meio desse cenário, o movimento voluntário mostra que existem personagens que entram na história sem promessa de final feliz, apenas com a decisão de ajudar. Sem glamour, sem discurso ensaiado, sem heroísmo performático. Só presença real.