Eu precisei pausar a esteira para lidar com este homem, meus amores. Chuando Tan chegou aos 60 anos, celebrou o aniversário no começo de março e apareceu de um jeito que faz muita gente jurar que o calendário dele foi sequestrado por alguma entidade hidratada de Singapura. O ex-modelo e fotógrafo voltou a incendiar a internet com aquelas fotos calculadíssimas de quem conhece luz, ângulo e o próprio rosto como poucos. Ele mesmo marcou o aniversário com um texto reflexivo sobre tempo, natureza e luz do sol, e eu já imaginei a cena inteira com filtro de campanha internacional e trilha de série cara. 
Agora, vamos ao que interessa, porque eu sei que meu povo quer serviço e veneno na mesma taça. Chuando insiste que o segredo da aparência está numa combinação quase espartana de alimentação e exercício. Em entrevistas repercutidas ao longo dos últimos anos, ele resumiu a conta como 70 por cento dieta e 30 por cento treino, e descreveu um café da manhã com seis ovos cozidos ou pochê, mas só duas gemas, além de leite e, às vezes, abacate. Também costuma falar em muita água, pouca bebida estimulante e um cardápio centrado em proteína magra e comida simples. 

Essa é a parte em que muita gente se anima e abre a geladeira com energia de finalista de reality fitness. E aqui, sinceramente, eu até entendo. Proteína adequada, menos ultraprocessado, mais legumes, menos álcool e uma rotina alimentar previsível realmente costumam ajudar composição corporal, disposição e até aparência da pele. Não tem fada madrinha nessa história. Tem consistência, tem repetição e tem uma disciplina que faria muito coach chorar de emoção no estacionamento da academia.

Nos exercícios, o pacote dele também é bem objetivo. Chuando já relatou musculação algumas vezes por semana, cardio moderado e natação, adaptando a rotina conforme o corpo pede, inclusive por conta de joelho. Essa parte eu gosto porque tira um pouco o glamour da fantasia e coloca o sujeito no terreno do hábito. Não é um número circense. É força, frequência e manutenção. Corpo bom depois dos 40 e dos 50 ama rotina. Drama é comigo. Tendão prefere constância. 

Outro pilar que ele repete é sono. Dormir cedo, evitar comer tarde, tentar preservar a noite como ritual de recuperação. Aí eu tenho que dizer uma coisa olhando no fundo dos olhos da audiência que pega trânsito, boleto e notificação até meia-noite. Isso funciona, claro, mas funciona melhor ainda para quem tem margem de organização. E margem, meu amor, já é artigo de luxo em muita casa. Mesmo assim, o princípio continua valendo. Dormir melhor, reduzir excessos à noite e não sabotar o corpo de madrugada ajuda mais do que creme caríssimo prometendo renascimento facial em sete dias. 

Só que eu não vou cair nessa passarela da ingenuidade, porque o babado aqui tem camarim. O que muita gente vê como prova viva de meritocracia dermatológica também passa por genética, histórico corporal e contexto de vida. Chuando foi modelo, construiu físico cedo, trabalhou a imagem por décadas e vive num ambiente com estrutura muito diferente da rotina média do brasileiro. Singapura tem renda alta, boa infraestrutura e acesso amplo a serviços e alimentação de qualidade, o que muda bastante o jogo do envelhecimento bem cuidado. Ele ainda vive de imagem. E quem vive de imagem escolhe o recorte, escolhe a foto e conhece o truque da luz que levanta até a autoestima do reboco da parede. 
Tem mais. O próprio Chuando já admitiu ter experimentado botox na região dos olhos e também já falou sobre tingir o cabelo. Nada escandaloso, nada de novela das nove com cirurgia clandestina na cobertura, mas já desmonta aquela fantasia da juventude absolutamente natural, espontânea e brotada apenas de ovos cozidos e paz interior. Existe disciplina, sim. Existe cuidado, sim. Existe também manutenção estética e uma vida inteira de investimento na própria aparência. Quem disser o contrário está vendendo ilusão embalada em potinho premium. 
E aqui mora o ponto mais importante dessa história, meus fofoqueiros de elite. Chuando pode servir como referência de hábito, mas não como sentença estética para a humanidade. Usar esse homem como régua universal é o tipo de loucura que faz qualquer espelho virar tribunal. O lado bom da viralização dele é mostrar que envelhecer não precisa significar abandono. O lado péssimo é empurrar outro padrão absurdo, agora com CPF de sessentão e cara de trintão profissional. A inspiração ajuda. A comparação adoece.