Eu estava em Sintra, mala aberta em cima da cama, separando as coisas porque amanhã vou para Fátima, quando recebo essa notícia no celular. Parei tudo. Alexandre de Moraes arquivou o processo contra Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio a pedido da Procuradoria-Geral da República. Chocada.
Minha primeira reação foi aquela de fofoqueira que vê uma reviravolta dessas e precisa conferir três vezes antes de abrir a boca: “Gente, que acordão é esse que Xandão fez?” Calma lá. A pergunta é provocação minha, porque não existe, nas informações divulgadas, evidência de qualquer acordo. Mas que o plot twist jurídico chama atenção, chama.

Moraes acolheu o parecer da PGR e extinguiu o processo que investigava uma suposta campanha de ataques contra o delegado da Polícia Federal Fábio Shor. Allan, Eustáquio e o senador Marcos do Val chegaram a ser indiciados pela PF por obstrução de Justiça e incitação ao crime, mas não se tornaram réus nesse caso.
A PGR entendeu que não havia “lastro probatório idôneo” para apresentar denúncia. Segundo o parecer, as publicações contra Shor teriam ultrapassado os limites da crítica tolerável a agentes públicos, mas os elementos reunidos não demonstraram uma articulação estruturada para incentivar crimes ou obstruir investigações.

Eustáquio comemorou e classificou a decisão como um “primeiro passo” para voltar ao Brasil. Só que a novela jurídica ainda tem capítulo: ele próprio afirmou que continua com outra ordem de prisão, relacionada a outro inquérito, e que sua defesa pretende pedir a revogação.
E eu? Continuo aqui tentando fechar a mala para Fátima e pensando: Xandão, meu filho, eu saio cinco minutos para escolher uma roupa e você me entrega um roteiro desses?