Amor, minha agenda virou um jogo de Tetris e nível avançado porque este ano Chicago decidiu concentrar a vida inteira dela em poucos meses. Já contei três viagens confirmadas e nenhuma brecha decente para respirar, o que caracteriza oficialmente um perrengue chique de respeito. Tudo acontece lá, tudo ao mesmo tempo, e perder qualquer coisa está fora de cogitação. Já estou considerando resolver a vida prática e arrumar uma cabeleireira fixa, porque do jeito que vai, vou morar mais em Chicago do que no meu próprio endereço.

Chicago funciona como aquelas pessoas que acordam produzidas às seis da manhã. Mesmo no inverno, a cidade já está em movimento, comendo bem, bebendo melhor e provando que frio nenhum segura uma boa mesa. A Chicago Restaurant Week transforma janeiro em desfile gastronômico e coloca restaurantes disputados ao alcance de quem planeja.


Música aqui não pede licença
Assim que o clima melhora, Chicago aumenta o volume e não olha para trás. O Lollapalooza toma o Grant Park e vira um grande teatro urbano, gente do mundo inteiro comprimida, skyline servindo de cenário e aquele sentimento coletivo de “eu estava lá”. Não tem romantização, tem suor, celular no alto e histórias que rendem anos de conversa.


O Chicago Blues Festival entra em cena com autoridade histórica. Blues aqui não é decoração, é identidade. O Chicago Jazz Festival segue a mesma lógica, técnica, improviso e público que entende o que está ouvindo. Já o Chicago House Music Festival lembra ao planeta quem criou a house music, sem pedir aplauso, apenas ocupando a rua.


Diversidade aparece, ocupa e não pede aprovação
Em junho, a cidade vira palco aberto com a Chicago Pride Parade. Northalsted muda de ritmo, as cores dominam tudo e o evento deixa claro que diversidade aqui não é discurso institucional, é prática coletiva.


O calendário segue com o Puerto Rican Festival and People’s Parade, o Andersonville Midsommarfest e o Bud Billiken Parade. Cada um ocupa seu espaço com personalidade própria, música alta, comida típica e gente que sabe exatamente o que está celebrando.
Comer, assistir e circular faz parte do programa
Setembro chega com o Taste of Chicago, que resolve o dilema eterno do turista, experimentar tudo sem escolher demais. É confuso, é cheio, é ótimo. Para quem gosta de arte e cinema, abril concentra a EXPO Chicago e o Chicago Latino Film Festival. No verão, a Millennium Park Summer Film Series prova que cinema ao ar livre funciona melhor com skyline ao fundo.


Agosto olha para o céu
O Chicago Air and Water Show transforma o Lago Michigan em arquibancada natural. Aviões rasgam o ar, o público acompanha de toalha no chão e a cidade entrega um espetáculo gratuito que parece exagero, mas acontece todo ano.
Por que planejar agora faz diferença
Chicago recompensa quem pensa antes. Eventos gratuitos, transporte simples, bairros caminháveis e uma agenda previsível para quem sabe pesquisar. Não existe mês vazio. Existe mês mal aproveitado.
Viajar para Chicago em 2026 exige apenas uma coisa, entender que a cidade trabalha com calendário cultural e quem entra nesse ritmo sai ganhando, em experiência, em memória e em história boa para contar depois.