Eu caminhava pelos arredores do Museu Borghese aqui em Roma, aquele tipo de tarde de terça em que o sol está perfeito e o celular não para, quando uma amiga do mercado de bebidas me mandou o release com um comentário só: “a Praya cresceu, Kátia.” Li ali mesmo, na calçada, com o chafariz ao fundo.
A Cerveja Praya, marca carioca criada em 2016 e posicionada como lager leve e refrescante para consumo ao ar livre, passa a ser produzida na cervejaria do Grupo Heineken em Jacareí, interior de São Paulo. A mudança amplifica a capacidade produtiva e viabiliza a expansão logística nacional, com foco declarado no Nordeste como mercado prioritário. A versão Lager, com embalagem atualizada e certificação sem glúten, deve crescer 57% ao longo de 2026.
O anúncio circulou discretamente no LinkedIn de executivos do setor, com aquele tom de post corporativo que tenta parecer empolgado sem entregar emoção de verdade. A Heineken Spin, plataforma de marcas emergentes do grupo, chancelou a operação pelo diretor Rafael Rizzi, e o mercado de bebidas que acompanha a categoria leve registrou o movimento sem muito barulho, o que no universo de bebidas geralmente significa que os concorrentes já sabiam antes da nota sair.
O movimento faz sentido dentro da estratégia de portfólio da Heineken no Brasil, que há anos tenta equilibrar suas marcas premium globais com rótulos de identidade local. A Praya tem o que as grandes não conseguem fabricar do zero: narrativa carioca orgânica, estética de verão e um nome que já existia antes de virar ativo corporativo. Internalizar a produção e empurrar para o Nordeste é apostas que o grupo só faz com marcas que ele acredita ter fôlego de prateleira.
A sereia da Praya agora mora em Jacareí e tem reunião de alinhamento toda segunda. O carioca que inventou a marca provavelmente olha pra isso com um sentimento bem parecido com o de ver o filho casar rico.