Ceilândia não vai piscar no dia 13 de dezembro. Vai enxergar. Às 10h da manhã, no Centro Universitário IESB Campus Ceilândia, mais de 1.200 estudantes da rede pública vão receber óculos de grau gratuitos. Sim, óculos. Aquela coisa básica que muita gente trata como detalhe, mas que separa quem acompanha a aula de quem fica para trás tentando adivinhar o que está escrito no quadro.
A ação nasce de uma parceria que funciona quando o assunto é coisa séria. Secretaria de Educação e Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal, junto com o Instituto Elisedape, colocam o discurso no chão da escola e resolvem o problema do jeito certo. Com exame, diagnóstico, armação escolhida e óculos entregues na mão. Nada de promessa vazia, nada de campanha de foto bonita sem resultado.

O projeto atende pelo nome de “Em Um Piscar de Olhos”, e o nome não é marketing exagerado. A triagem ocular leva seis segundos. Seis. Sem dilatar pupila, sem trauma, sem drama. Assertividade de 90 por cento. Rápido, preciso e eficiente, como política pública deveria ser sempre. Enquanto isso, tem gente ainda discutindo se criança precisa ou não de óculos. Precisa. Ponto.
O processo é completo e sem atalhos. Mutirões de triagem, consulta com oftalmologista, diagnóstico técnico, escolha da armação e entrega final. Tudo pensado para garantir que a criança volte para a sala de aula enxergando o que antes era borrão. Porque não existe igualdade de aprendizado quando metade da turma mal consegue ler o quadro.

Desde 2021, a metodologia já beneficiou mais de 195 mil crianças e adolescentes em 10 estados brasileiros. Não é ação pontual, é escala. É dado, é histórico, é impacto real. Em Ceilândia, o projeto chega para ajustar foco, mas também para levantar autoestima. Criança que enxerga melhor participa mais, aprende mais e se sente parte do jogo.
O impacto vai além do óbvio. O projeto ainda gera dados estatísticos sobre a saúde ocular infantojuvenil, tudo dentro da Lei Geral de Proteção de Dados. Informação organizada, território mapeado, política pública baseada em realidade, não em achismo. Coisa rara, diga-se.
No fim das contas, é simples e escandaloso. Mais de 1.200 crianças vão sair dali vendo melhor. E isso muda tudo. Porque educação sem visão é discurso cego. E Ceilândia, dessa vez, resolveu abrir os olhos.