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Kátia Flávia
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Cecília Malan vive longe do Brasil por uma regra que muitas mães separadas conhecem bem

Correspondente da Globo em Londres disse que não pode privar a filha da convivência com o pai francês; por trás da decisão, há uma realidade enfrentada por famílias separadas entre países diferentes

Kátia Flávia

30/04/2026 14h30

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Cecília Malan vive longe do Brasil por uma regra que muitas mães separadas conhecem bem | Reprodução

Estava na sacada do Cosme Velho nessa quinta , quando uma amiga jornalista me ligou para comentar o que Cecília Malan tinha dito no Mais Você. Fui ouvir na hora, porque tem assunto que começa como nota de colunista e termina revelando muito mais sobre como as pessoas vivem do que qualquer entrevista de divulgação.

Correspondente da Globo em Londres há anos, Cecília explicou à Ana Maria Braga que não volta ao Brasil por conta da filha Olímpia e da relação dela com o pai, o jornalista francês Pierre Antoine. Ela foi direta: disse que Pierre Antoine é um pai presente, que a convivência dele com a menina é real, e que não poderia ser ela a interromper isso. A fala saiu com a serenidade de quem já processou essa decisão faz tempo e aprendeu a sustentá-la sem precisar de validação.

O que a correspondente descreveu tem nome no direito internacional. O Ministério da Justiça trata como subtração internacional de crianças qualquer deslocamento que retire a criança do país onde ela tem residência habitual sem o consentimento do outro genitor. Na prática, isso significa que mudar de país com um filho não é decisão pessoal de um só lado, independentemente de quem detém a guarda. Cecília está em Londres não apenas porque a Globo a colocou lá, mas porque a família que ela ajudou a construir criou raízes naquele endereço, queiram ou não.

Em abril, ela lançou o livro “Eu e elas: histórias maternas”, que começou depois que uma foto da filha agarrada nas suas pernas durante uma transmissão ao vivo da Globo viralizou e mexeu com muita gente. A obra reúne relatos de 21 mulheres sobre o que é ser mãe com a vida atravessada por fronteiras. Para Cecília, o livro veio natural: ela já vivia na pele esse tipo de maternidade que não tem endereço fixo, só compromisso.

Muita gente resumiu a história ao detalhe do ex-marido ser francês, como se fosse curiosidade de lifestyle de famosa. Mas Cecília botou o dedo numa ferida que afeta famílias brasileiras espalhadas pelo mundo: a separação não tem retorno automático ao Brasil, e quem é mãe de filho com pai estrangeiro sabe que a saudade de casa precisa se resolver por dentro antes de qualquer mudança de passaporte. A correspondente escolheu contar isso em público, e a coluna acha que foi corajoso, porque a maioria prefere guardar pra si.

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