Estava aqui em Roma, minha gente, terminando um café que já tinha esfriado faz tempo, quando uma fonte me mandou mensagem com um link e um “você precisa ver isso”. Precisava, sim. E agora vocês também vão precisar.
A Larissa Lima foi lá e fez o que muita gente grande no mercado deveria ter feito há anos: levou o Ceará de verdade para São Paulo. A Casa de Maria, instalação que materializa o projeto “É o Mar”, tem varanda, sala de estar, sala de jantar, cozinha, escritório, quarto com suíte e área de serviço. Uma casa inteira, gente. Dentro de uma bienal. O visitante entra e percorre tudo como quem atravessa um lar de verdade, não uma maquete de salão técnico.

E a curadoria não veio do Pinterest não. Rede em fibra natural, jangada virando escritório elevado, estampas de sol, peixe, lamparina e coração espalhadas pelo espaço. Cerâmica artesanal nas paredes do banheiro. Ventilação cruzada. Madeira. Fibras. Tudo pensado para funcionar no calor, porque arquitetura que ignora o clima do lugar onde as pessoas vivem é decoração de catálogo, e ponto.
O projeto ainda reúne arte de Henrique Viudez, peças de Léo Ferreiro, Érico Gondim, Desconexo Design e obras da Galeria Leonardo Leal. Têxtil, cestaria, mobiliário autoral. É o litoral cearense aparecendo com refinamento, sem perder a identidade.

O nome do projeto carrega um gesto que eu achei bonito demais para não comentar: “Casa de Maria” representa as mulheres cearenses, as guardiãs do cotidiano, do cuidado e dos saberes que constroem o lar. E muitas das redes da economia criativa local que sustentam a instalação são conduzidas por mulheres. Isso é intenção, não coincidência.
A BAB 2026 segue até 30 de abril no PACUBRA, Portão 10 do Ibirapuera, em São Paulo, das 12h às 21h. Se você está na cidade, vai lá. Porque a Larissa Lima foi a São Paulo e fez São Paulo parar.