Estava aqui em casa, na lavanderia de casa, no meio de uma reunião com o pessoal de uma agência , quando minha amiga do mercado publicitário ligou das Torres Gêmeas em frente ao JK Iguatemi , lá em São Paulo, completamente fora de si. “Kátia, anota isso.” Anotei. A CazéTV, o canal do Casimiro Miguel que nasceu no YouTube e virou fenômeno nacional, fechou R$ 2 bilhões em patrocínios para transmitir os 104 jogos da Copa do Mundo.

Os patrocinadores: Ambev, Itaú, Coca-Cola e Mercado Livre. Quatro gigantes que não alocam budget em experimento. Essas marcas só aparecem onde a atenção é real.

O que minha amiga de São Paulo deixou claro, e o mercado publicitário inteiro já sabe, é que esse contrato não é só sobre futebol. É a formalização de uma virada que vem acontecendo há uma década: a audiência migrou, o dinheiro foi atrás, e a Globo perdeu a exclusividade dos direitos digitais para um canal que, até pouco tempo, era classificado como “nicho de internet”. O YouTube virou televisão, e quem não enxergou isso a tempo está assistindo a reunião de diretoria virar velório corporativo.

O detalhe que o mercado sussurra nos corredores da Faria Lima é que Ambev, Itaú, Coca-Cola e Mercado Livre não estão apenas comprando mídia. Estão comprando comunidade, linguagem e uma relação de confiança que a TV aberta levou décadas para construir e jogou fora num ciclo de programação que já não fala com ninguém com menos de 45 anos. Casimiro não é um creator sortudo. Casimiro é o resultado de uma janela que o mercado deixou aberta e ele entrou com tudo.

Desliguei o telefone, olhei para o pessoal da Casa da TV ali na minha lavanderia e disse: o jogo mudou, e mudou feio. R$ 2 bilhões em patrocínio para um canal do YouTube é o relatório mais claro que o mercado poderia ter recebido sobre onde está a atenção do brasileiro em 2026. Globo, Band, Record: anotaram?