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Kátia Flávia
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Caso Henry: pai pede investigação contra juíza após perdão judicial a Monique Medeiros

Leniel Borel acionou o CNJ e quer apuração sobre a conduta de Elizabeth Machado Louro no julgamento que concedeu perdão judicial à mãe do menino

Kátia Flávia

06/10/2026 8h23

Leniel Borel, pai de Henry, acionou o Conselho Nacional de Justiça

Leniel Borel, pai de Henry, acionou o Conselho Nacional de Justiça

Leniel Borel, pai de Henry Borel, apresentou uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza Elizabeth Machado Louro, que presidiu o julgamento de Monique Medeiros e Jairinho. Ele pede que o órgão investigue se a magistrada tentou influenciar o júri a conceder perdão judicial a Monique, mãe do menino morto em março de 2021.

Eu sentei no Café Saudade, em Sintra, e larguei o cardápio sobre a mesa antes de pedir qualquer coisa. Porque o caso de Henry já atravessou anos, decisões, recursos e uma dor que não admite comentário ligeiro de ninguém.

Na petição, a defesa de Leniel cita uma audiência realizada em setembro, no processo movido contra a jornalista Fernanda Piacentini. Nela, uma testemunha relatou que a jornalista teria recebido um pedido para procurar a mãe de Monique, quando ela estava presa, para sugerir a troca da defesa particular por uma defensora pública supostamente próxima da juíza.

Eu fiquei olhando a rua nublada pela janela, enquanto o garçom passava com as xícaras, tentando organizar tanta informação grave. O pedido não é uma condenação, nem prova definitiva contra a magistrada: é uma reclamação para que o CNJ apure os relatos, as gravações e os documentos apresentados pela defesa de Leniel.

O pai de Henry também questiona decisões anteriores da juíza que substituíram ou relaxaram a prisão de Monique e foram posteriormente revistas pelo Supremo Tribunal Federal. A defesa cita ainda o julgamento de 2026, quando os jurados responderam inicialmente que a omissão da acusada teria sido dolosa.

Segundo a petição, após aquela resposta, a juíza teria reconhecido erro na formulação do quesito, substituído a pergunta por outra sobre omissão culposa e determinado uma nova votação. Ao fim do julgamento, Monique recebeu perdão judicial. Eu mexi devagar na colher, porque é exatamente essa sequência que Leniel quer ver examinada pelas autoridades competentes.

A reclamação pede que o CNJ esclareça os fatos e que o Ministério Público seja acionado para avaliar a preservação de provas, incluindo celulares de pessoas citadas no documento. O Tribunal de Justiça do Rio informou que não se manifesta sobre decisões de magistrados nem sobre processos em curso.

Eu respirei fundo antes de chamar o garçom. A discussão jurídica seguirá os seus caminhos, mas o pai de Henry deixou claro que não pretende abandonar a busca por respostas. Em uma história tão dolorosa, cada decisão precisa mesmo ser explicada com a maior transparência possível.

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