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Kátia Flávia
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Caso Alice Ribeiro: o que você precisa saber sobre doação de órgãos

A morte da repórter da Band Minas aos 35 anos, após acidente na Grande BH, chocou o Brasil e fez sua família tomar uma decisão que pode salvar até dez vidas. E esse número não é figura de linguagem, é medicina

Kátia Flávia

18/04/2026 9h45

Alice Ribeiro, repórter da Band Minas

Alice Ribeiro, repórter da Band Minas

Ainda aqui em Bari, de olho no Adriático e com o coração pesado desde sexta-feira, quando a notícia da Alice Ribeiro chegou. Repórter da Band Minas, 35 anos, morta após morte encefálica decorrente de um acidente de trânsito na Grande BH. A família, na dor mais funda que existe, tomou uma decisão que parou o Brasil: autorizou a doação dos rins, pâncreas, fígado e córneas. E aí vem a pergunta que todo mundo está fazendo, mas pouca gente sabe responder direito.

O Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, explica que a fila de transplantes no Brasil é única, criteriosa e igual para pacientes de hospitais públicos, privados, com ou sem convênio. A ordem de prioridade cruza histórico, gravidade da doença e o órgão necessário. Quem parece “ter mais sorte” na fila costuma ser quem está no quadro mais grave. São cerca de 66 mil pessoas esperando hoje, um dos maiores números dos últimos 25 anos.

A doação também pode acontecer em vida, nos casos de órgão duplo como o rim, ou parte de órgãos como fígado e pulmão. E a medula óssea, uma das doações mais realizadas no país. A condição é que o doador esteja em ótimo estado de saúde. Já na doação pós-morte, como no caso de Alice, a família é quem repassa a decisão do falecido à equipe médica. Por isso a conversa em casa importa antes que a tragédia chegue.
Um único doador falecido pode beneficiar até dez pessoas. O Brasil depende 100% de doações e, segundo o próprio Nacif, o que faz esse número crescer é educação contínua sobre o tema. A família de Alice escolheu, no momento mais difícil, transformar a perda em vida. Isso é um gesto que merece ser entendido, não só aplaudido.

Se você ainda não conversou com a sua família sobre doação de órgãos, o caso de Alice Ribeiro é o motivo mais urgente e mais humano para fazer isso hoje. Descanse em paz, Alice.​​​​​​​​​​​​​​​​

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