Eu, já sentei na mureta da avenida só pra observar e posso garantir, o Carnaval de São Paulo não é mais aquele bloco inocente que a gente achava que conhecia. Aquilo ali virou reunião de conselho, desfile de ego e contrato assinado no intervalo do samba-enredo. Se bobear, tem mais networking do que em coquetel de banco.
Todo ano, o Sambódromo do Anhembi se transforma num quartel-general da economia criativa. Não é exagero meu não. Tem cenógrafo surtando com prazo, produtor cultural negociando espaço, equipe técnica virando a noite, artista ensaiando sorriso, fornecedor de bebida fazendo conta e gente do marketing vendendo sonho embalado em LED. Aquilo funciona como cidade provisória, com regras próprias e muita vaidade circulando.
Agora segura essa pluma. Os camarotes viraram personagens principais dessa novela. Nada de arquibancada improvisada. Eles operam como laboratório de experiência, com cenário pensado, luz dramática, curadoria musical calculada e serviço que faz o folião esquecer até que está em São Paulo e não num resort imaginário. A estreia do Camarote Euphoria em 2026 é o retrato desse movimento. Luxo, vista estratégica, open bar caprichado e aquela área instagramável que grita olha pra mim.
Conversei com quem manda no roteiro dessa história e ouvi de Alberto Miranda que o Carnaval é um dos raros momentos em que São Paulo funciona integrada em torno da cultura. Ele fala com a calma de quem sabe que ali tem emprego real, talento local valorizado e muita gente pagando boleto graças ao samba. Já Carlos Alves entra com discurso de estrategista e diz que a cidade aprendeu a tratar o Carnaval como ativo cultural e econômico, dialogando com turismo, entretenimento e negócios criativos sem perder o cheiro popular.
E não pense que isso fica restrito ao Anhembi. Hotel lotado, bar funcionando no limite, restaurante sem mesa, aplicativo de transporte agradecendo aos céus e turista chegando de fora do estado e até do país. O Carnaval paulista ganhou passaporte internacional e status de destino cultural, coisa que muita gente torcia o nariz anos atrás.
O que eu vejo da minha mesa de bar chique do subúrbio é simples. O Carnaval de São Paulo amadureceu, cresceu e virou plataforma estratégica. Cultura, dinheiro e cidade andando juntos, sambando de braço dado e discutindo contrato no camarim. Quem ainda acha que é só festa, está assistindo a novela errada.