Eu vi. Eu senti. E eu confesso que esperei o climão. Carnaval é isso, gente. Quem diz que só existe alegria nunca ficou de frente para uma apuração atravessada. A Rosas de Ouro caiu, o título escapou e a escola vai para o Grupo de Acesso. Só que Ana Beatriz Godoi resolveu entrar em cena como protagonista de novela das nove.

Enquanto muita gente esperava choro, drama e indireta atravessada, a rainha da bateria apareceu com discurso de quem conhece a própria força. Falou de serenidade, responsabilidade e comunidade com aquele tom de quem sabe que o jogo não acaba no último envelope aberto. Eu chamo isso de postura de madame da avenida, daquelas que caem sem derrubar a coroa.
Ana Beatriz deixou claro que a Rosas nunca entra para passeio. Entra para brigar. A penalidade inicial já tinha colocado pressão extra na conta e mesmo assim ela bancou o desfile como algo vibrante, emocionante e verdadeiro. Palavra forte para quem costuma ouvir crítica gratuita de arquibancada e comentário apressado de rede social.

O que me chamou atenção foi o discurso afinado com a base. Nada de estrela solitária. Ela falou da comunidade, da entrega coletiva, do orgulho pelo que foi apresentado. É aquele tipo de fala que parece ensaiada, mas carrega verdade de quem está ali há seis anos segurando o ritmo e o ego.
Agora, vamos falar do figurino porque eu jamais passaria batom e fingiria costume. A fantasia dourada vinha com uma pedra avaliada em dois milhões de reais. Sim, você leu certo. Uma turmalina de 70 quilates desfilando no Sambódromo enquanto a escola enfrentava um dos momentos mais delicados da sua história recente. Eu amo esse contraste. Drama no resultado, luxo no corpo, cabeça erguida.
Ana Beatriz disse que busca se superar a cada ano e que sai com sensação de dever cumprido. Tradução livre da Kátia aqui. Ela sabe que fez a parte dela e está avisando que a volta ao Grupo Especial já entrou no radar. Nada de discurso pequeno. Nada de vitimismo. É narrativa de reconstrução com salto alto e memória longa.
A Rosas de Ouro agora entra em modo resistência. União, confiança e trabalho pesado. Carnaval é cíclico, meu bem. Hoje é queda, amanhã é revanche. E se depender da rainha da bateria, essa história ainda vai render capítulo novo, desfile repaginado e muita gente engolindo opinião atravessada. Eu, claro, estarei na primeira fila observando tudo com atenção e sobrancelha arqueada.