Eu estava lá, espiritualmente de salto alto e olhar clínico, quando Carlo Ancelotti resolveu atravessar o Atlântico emocional e cair direto no Anhembi. O Mister chegou sem pose de europeu distante. Chegou sorrindo, abraçando e aceitando o Carnaval como quem entende que, neste país, tudo começa fora da prancheta.

No Camarote Bar Brahma, Ancelotti virou atração instantânea. Não precisou levantar taça, nem dar entrevista em tom professoral. Bastou vestir a camisa da Seleção Brasileira e circular entre nomes que carregam a memória afetiva do torcedor. Ali estavam Denílson Show, Júnior e Vampeta, todos no modo anfitriões de um Brasil que gosta de contato visual e abraço apertado.
O italiano não fez cara de quem está cumprindo agenda. Circulou, conversou, riu, aceitou fotos e deixou claro que estava absorvendo o ambiente. Carnaval, para ele, virou aula prática. Entender o barulho, o suor, a proximidade e a informalidade ajuda mais do que qualquer relatório técnico.

A Brahma, velha conhecida da Seleção, tratou o momento como celebração e estratégia. O Carnaval virou palco de integração simbólica, com Ancelotti no centro da cena, sendo apresentado ao país fora do estádio. Nada forçado, nada engessado. Funcionou porque ele entrou no clima.
Depois de São Paulo, a rota seguiu para Salvador e Rio, como manda o ritual. Um treinador que pretende comandar o Brasil precisa atravessar essa jornada. Não para provar algo, mas para sentir o pulso da arquibancada que canta, cobra e abraça na mesma intensidade.

Saí dessa cena com uma convicção de colunista experiente e um pouco dramática. Ancelotti não veio apenas observar. Veio se deixar observar. No Brasil, isso conta ponto. E conta muito.
Fotos | Patrícia Devoraes/Brazil News – Divulgação/Brahma