Estou em Campos do Jordão, meus amores, de casaco de lã e taça de vinho quente no Capivari, fingindo que vim pelo festival de inverno quando na verdade vim pelo fondue. Pois nem o queijo tinha derretido direito e o telefone tocou. Uma fonte querida de São Paulo, dessas que trabalham com gestão de crise e por isso nunca dormem, abriu a ligação gargalhando: “Kátia, larga esse vinho que o Carlinhos Maia surtou com a Luana Piovani”. Larguei nada. Briga boa se acompanha de taça na mão.
O estopim foi um vídeo do doutor Drauzio Varella que a Luana compartilhou, no qual o médico explica o quanto as casas de aposta são nocivas e lembra da responsabilidade de quem faz a divulgação delas. A atriz não parou no repost. Foi aos comentários marcar, um por um, famosos que lucram com as bets, entre eles o Carlinhos, e ainda republicou outras postagens negativas sobre a ligação do influenciador com o setor. Num momento em que as apostas viraram pauta de CPI, de Ministério da Fazenda e de consultório de psiquiatra, cutucar quem fatura com elas é jogar gasolina em fogueira que já estava acesa.
A resposta veio em desabafo, e que desabafo, minha gente. O Carlinhos abriu ironizando as declarações recentes da Luana sobre uso de ervas alucinógenas, disse que a acha “estranha, esquisita”, mandou ela “deixar de ser chata”, receitou terapia, decretou que o mal dela é falta de trabalho e ainda fez apelo público: “Globo, por favor, contrata”. No pacote foram também “velha”, “doida” e “desocupada”. E para provar que mágoa tem validade longa, ele desenterrou um episódio antigo em Fernando de Noronha, quando a atriz teria saído da barraca reclamando do som alto dele, e o som alto, jura ele, vinha do bar atrás da barraca dela. Guardar essa história todos esses anos, meus amores, é dedicação de arquivista.
Agora a leitura que essa colunista faz do camarote: a Luana criticou um modelo de negócio, e o Carlinhos respondeu atacando idade, sanidade e carteira de trabalho. Em nenhum segundo do desabafo ele defendeu as bets em si, porque esse é o terreno onde a discussão fica difícil. Já a Luana sabe exatamente o que faz. Quem enfrentou o Neymar por causa de praia não vai tremer diante de story nervoso, e marcar os famosos nos comentários foi jogada calculada para transformar o debate em nome e sobrenome. Ela escolheu a pauta, ele escolheu o barraco, e adivinhem qual dos dois assuntos vai dominar a semana.
Termino meu vinho aqui em Campos do Jordão fazendo a única aposta que essa colunista se permite: essa treta ainda ganha capítulo dois antes do inverno acabar. E olha que eu nem precisei de bônus de boas-vindas.