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Kátia Flávia
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Carlinhos Brown reinventa a Quarta-feira de Cinzas com trio elétrico verde

Cinzas virou luz, gerador virou bateria e o fim da folia ganhou discurso de futuro. Brown puxou o Carnaval para 2030 enquanto metade da avenida ainda estava em 2026.

Kátia Flávia

18/02/2026 15h30

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Carlinhos Brown fala sobre a criação do Camarote Andante. Crédito: Gabriel Nascimento

Amores, eu aviso logo. O Carnaval acabou, mas Carlinhos Brown não aceita final de festa sem plot twist. Enquanto o folião tradicional já estava mentalmente de ressaca, Brown apareceu no circuito Barra-Ondina com uma ideia que muda o encerramento da folia e ainda dá aula sem cara de palestra. A Quarta-feira de Cinzas ganhou upgrade, agora atende por Quarta-feira de Luz e eu estou emocionalmente impactada.

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Trio elétrico 100% elétrico redefine a Quarta-feira de Cinzas em Salvador

O responsável por essa virada conceitual atende pelo nome de Camarote Andante, um trio que não funciona como trio comum. Ele desfila em modo 100% elétrico por quase quatro horas, com bateria de lítio, inversores e placas solares. Tudo isso em parceria com a WEG e a K2D. Sim, meu amor, agora o Carnaval tem matriz energética e estratégia de descarbonização.

O impacto não é só simbólico. Menos ruído, menos poluente, mais qualidade de som e um alívio imediato no ar da avenida. Brown entendeu que inovação precisa ser sentida na pele do público, não apenas explicada em release. E funcionou. O trio virou personagem, o discurso virou experiência e o encerramento da folia ganhou sentido novo.

O Camarote Andante também não se limita a performance musical. Ele funciona como espaço formativo, artístico e social. Durante o processo, virou sala de aula itinerante, laboratório prático e palco para jovens artistas participarem desde a montagem até a apresentação final. Eu chamo isso de Carnaval com herança, não só com confete.

Antes de ganhar a rua, o Andante serviu como hub de energia e hospitalidade do próprio Brown, com buffet premium, bebidas selecionadas e decoração temática. Depois, assumiu a avenida com função clara, suporte técnico, amplificação artística e protagonismo absoluto. Nada ali parecia improvisado, e isso no Carnaval é sinal de revolução silenciosa, ops, revolução assumida mesmo.

A trilha sonora ficou sob comando do DJ D’Vitor, misturando marchinhas, axé e música eletrônica, daquele jeito que respeita tradição sem virar museu. E quando o trio entrou no Arrastão, grudado em Brown como extensão do corpo dele, ficou claro que aquilo não era acessório. Era manifesto sobre o futuro da festa.

Eu observo tudo com olhar treinado e afirmo sem medo. O que antes era despedida virou marco zero de um Carnaval que começa a pensar além da próxima quarta-feira. Brown não encerrou a folia. Ele reposicionou o Carnaval como plataforma cultural, ambiental e simbólica.

A Quarta-feira de Cinzas mudou de nome. E, do jeito que eu conheço Salvador, não tem volta.

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