Eu tive que sentar na minha cama redonda aqui em Roma porque Cariúcha conseguiu entregar fé, celibato, ansiedade de estreia e performance de cobradora de lotação na mesma entrevista, e isso para mim já vale um contrato vitalício com o entretenimento brasileiro. Em papo com Dani Albuquerque no Sensacional, a apresentadora contou que está em celibato há quase três meses e ligou essa escolha a um propósito espiritual, justamente num momento em que vive a expectativa de assumir o comando do SuperPop. Eu gosto quando a pessoa fala sem embalagem de consultoria, sem cara de frase treinada, sem frescura. Cariúcha foi lá e abriu o verbo do jeito dela, com aquela sinceridade que entra na sala sem pedir licença e ainda puxa a cadeira.
Segundo o material, ela disse que a decisão tem relação direta com a fé, que ficou ainda mais forte depois da conquista profissional. Cariúcha contou que faz promessa, que acorda de madrugada para orar e que tem levado essa nova fase com um olhar mais espiritual. E eu vou te falar uma coisa, meu amor, isso tem um sabor muito especial porque vem de uma mulher que sempre foi vendida ao público como intensidade pura, língua afiada, resposta pronta e confusão organizada. Aí de repente a mesma figura aparece dizendo que está segurando a onda, mantendo propósito e tentando não cair em tentação. Achei uma mistura deliciosa de testemunho com reality de sobrevivência emocional. Ela mesma brinca que conhece um monte de homem bonito, gostoso, e que o diabo parece vir para tentá-la. Sinceramente, televisão nenhuma escreve personagem melhor.

Cariúcha também falou do frio na barriga para a estreia no SuperPop, marcada para o dia 25, e confessou que ainda está ansiosa com o novo passo. Quer saber a opinião do povo, quer sentir a reação do público, quer entender como vai ser ocupar um estúdio enorme, uma tela gigantesca, uma responsabilidade desse tamanho. E aqui eu dou razão total, porque uma coisa é ser barulhenta com talento no palco da opinião, outra é sentar oficialmente na cadeira e segurar o programa no braço, no peito e na laca. Ela parece estar vivendo aquele momento em que a mulher vence, comemora, se assusta e vai mesmo assim. Chique? Talvez não. Honesto? Muito. E honestidade na TV vale mais do que muita pose de seda importada.
Agora, a parte que me ganhou de vez foi a sequência da lotação, porque o Brasil profundo do entretenimento mora justamente aí, na hora em que a diva larga a solenidade e volta para a rua com brilho no olho. Em clima de nostalgia, Cariúcha refez o trajeto rumo à gravação do programa ao lado de Dani Albuquerque, topou a brincadeira e assumiu o papel de cobradora, gritando destino e ensinando a colega a anunciar o itinerário. Eu não tenho estrutura para essa imagem. Dani, toda montada de apresentadora elegante, sendo treinada para mandar um “alô, Osasco, direto, R$ 3,50” enquanto a van vai enchendo e a cena vira quase um spin-off de novela popular com perfume de meme pronto. Isso aqui é televisão com DNA brasileiro, meu bem. Tem lembrança, tem escracho, tem afeto, tem essa capacidade rara de transformar uma volta às origens em espetáculo sem cara de sermão.
Cariúcha, aos 42 anos, entra nessa nova fase com a mesma personalidade que fez o país prestar atenção nela lá atrás, só que agora com mais controle de cena e um senso muito claro do tamanho do momento que está vivendo. Eu olho para essa entrevista e vejo uma mulher que ainda diverte, ainda provoca, ainda faz bagunça boa, mas também quer mostrar disciplina, fé e desejo real de fazer bonito na nova casa. E isso, para mim, dá uma nota ótima porque junta confissão, bastidor, humor e expectativa de estreia num pacote que o público entende de primeira. Quem sabe rir da própria história, falar do próprio desejo sem pose e ainda ensinar a colega a brincar de lotação no caminho da RedeTV! já entendeu uma coisa essencial da fama, carisma sem espontaneidade é só figurino mal passado.