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Kátia Flávia
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“Cara de bolacha”: Sikêra Jr. imita aparência de Basília Rodrigues e é condenado a pagar R$ 30 mil

Apresentador foi punido pelo TJ-AM por ataques à jornalista, em decisão que cita humilhação física e extrapolação da liberdade de expressão

Kátia Flávia

12/08/2026 13h46

Sikêra Júnior foi condenado a pagar R$ 30 mil a Basília Rodrigues

Sikêra Júnior foi condenado a pagar R$ 30 mil a Basília Rodrigues

Sikêra Júnior foi condenado pela Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais à jornalista Basília Rodrigues. A decisão entendeu que o apresentador extrapolou os limites da liberdade de expressão ao fazer gestos imitando a aparência física da profissional.

Eu já tinha saído do Leblon e estava em casa tentando colocar ordem numa agenda que parecia ter se multiplicado sozinha, quando essa sentença apareceu no celular. Sikêra, que agora também tenta uma cadeira em Brasília, levou mais uma da Justiça. Dessa vez, por transformar comentário político em ataque à aparência de uma jornalista. Chamar isso de humor é pedir muito da nossa paciência.

O caso aconteceu em 9 de setembro de 2022, quando Sikêra comandava o “Alerta Nacional”, da TV A Crítica, de Manaus, também transmitido pela RedeTV!. Na ocasião, ele satirizava Basília por uma fala feita no “CNN Novo Dia”, quando a jornalista se confundiu ao dizer que o lema da bandeira do Brasil era “independência ou morte”, em vez de “ordem e progresso”. Ela se corrigiu depois, mas o erro virou munição.

Segundo o entendimento dos desembargadores, Sikêra passou dos limites ao fazer gestos que imitavam características físicas da jornalista. O tribunal aproximou a conduta da prática de body shaming, quando alguém é exposto de forma humilhante por causa do corpo ou da aparência.

A corte também levou em conta conteúdo divulgado por Sikêra em plataforma digital, no qual Basília era identificada como “cara de bolacha”. Depois do episódio, a jornalista passou a receber comentários depreciativos de outras pessoas sobre seu corpo, o que agravou o dano à honra e à imagem.

E aqui não tem muita ginástica argumentativa que salve. Uma coisa é criticar uma fala pública. Outra é pegar o erro de uma jornalista e transformar em escárnio físico. O primeiro é debate. O segundo é baixaria com microfone.

Em primeira instância, a 19ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus havia rejeitado o pedido de indenização. A defesa de Basília recorreu, e o TJ-AM acolheu parcialmente o recurso. A decisão cabe recurso. Sikêra não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

A condenação se soma a outros problemas judiciais do apresentador. Em janeiro de 2026, ele foi condenado pelo TRF1 por discurso homotransfóbico, crime equiparado ao racismo. Em julho, o TRF4 manteve condenação de Sikêra e da RedeTV! ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos em ações envolvendo falas contra a população LGBTQIA+.

O histórico também inclui disputa com Xuxa Meneghel por associação à pedofilia e acordo com o Ministério Público envolvendo doação a instituição de caridade. Ou seja, não é exatamente um caso isolado de piada mal colocada. É uma coleção de processos com o mesmo perfume de microfone usado como porrete.

Eu deixei a agenda aberta na mesa e pensei que essa decisão chega em hora politicamente sensível. Sikêra disputa vaga de deputado federal por São Paulo e tenta levar para a urna a mesma persona que já lhe rendeu condenações.

A Justiça mandou um recado simples: liberdade de expressão não é salvo-conduto para humilhar mulher pela aparência. Basília errou uma frase, corrigiu e seguiu trabalhando. Sikêra escolheu atacar o corpo dela. Agora, pelo menos por enquanto, a conta ficou em R$ 30 mil.

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