Eu estava no shopping, ainda decidindo se entrava numa loja ou ia direto para o almoço, quando o celular tocou. Era uma amiga minha que mora na Asa Sul, em Brasília, completamente fora de si. “Cátia, você já viu o que aconteceu?” Não tinha visto nada. Parei ali mesmo no corredor, com a sacola na mão, e fui ouvindo. O nome que ela repetia era Adriano Muniz, cantor sertanejo do Distrito Federal, encontrado morto dentro de casa na tarde de quinta-feira, 7 de maio. O almoço podia esperar.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi acionado por volta das 14h30, depois que vizinhos do apartamento em Vicente Pires perceberam um odor forte vindo da residência e fizeram ligações para as autoridades. A equipe chegou e encontrou Adriano sem sinais vitais. O Instituto de Criminalística enviou peritos ao local, o corpo foi encaminhado ao IML, e a causa da morte segue sem divulgação oficial até agora.
O delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires, responsável pelo caso, afastou a hipótese de crime: declarou que a morte aparece, de início, como natural, sem vestígios de violência no local. Mas o laudo definitivo ainda não saiu, e enquanto isso não acontece, as perguntas ficam abertas. Adriano tinha cerca de 25 mil seguidores no Instagram, fazia shows em casas noturnas, eventos corporativos e festas privadas, e havia lançado dois singles autorais em 2025, “Se Repete” e “Não Faz Sentido”. Era uma carreira que crescia no ritmo certo.
A notícia chegou às redes com aquela velocidade triste que o digital tem para mortes inesperadas. Fãs e colegas da cena sertaneja do DF começaram a prestar homenagem nas últimas horas, lamentando a perda de um artista jovem que ainda tinha muito a entregar. O perfil dele no Instagram virou ponto de encontro de mensagens de afeto de quem o conheceu nos palcos e nos bastidores da música brasiliense.
Adriano Muniz não era um nome nacional, mas era um nome real, construído show a show, nota a nota, com o suor de quem sabe que o mercado sertanejo não dá espaço de graça para ninguém. Que a família encontre respostas, que as autoridades façam o trabalho com o rigor que o caso merece, e que a memória desse artista seja preservada com o respeito que qualquer vida em plena construção merece.