Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Câncer aos 24, feed aberto e zero silêncio: como Bruna Furlan largou o rótulo de “neta do Carlos Alberto” e virou o rosto jovem do câncer de mama

Entre filtros, consultas e uma coragem nada instagramável, Bruna Furlan decide não desaparecer, expõe a própria travessia e transforma o feed em território de verdade, afeto e confronto com a ideia de que juventude precisa ser interrompida.

Kátia Flávia

09/01/2026 9h45

itsbrunafurlan 1584066158 2263633458431802805 1650549119

Bruna Furlan com o avô Carlos Alberto de Nóbrega. Foto: Reprodução/ Instagram

Manas, eu la poderia ter sumido. Poderia ter fechado o feed, escrito um comunicado frio, entrado em modo avião e voltado só quando tudo estivesse “sob controle”. Mas Bruna Furlan fez exatamente o contrário. Abriu a câmera, abriu o coração e decidiu viver o tratamento a céu aberto, como quem diz “isso também é vida, mesmo quando dói”.

Aos 24 anos, quando a maioria das influenciadoras está escolhendo look de réveillon, ela estava aprendendo palavras que ninguém dessa idade deveria saber pronunciar com naturalidade. Carcinoma mamário invasivo. Metástase. Quimioterapia. E, ainda assim, juventude. Porque Bruna se recusa a abrir mão dela.

Muito antes do diagnóstico, Bruna já existia para além do sobrenome. Sim, ela é neta de Carlos Alberto de Nóbrega, mas seu público não veio por tabela. Veio pelo feed bonito, pelas viagens, pelos ensaios, pelos desabafos sobre ansiedade, pelas dúvidas afetivas e pela sensação de estar falando com alguém da mesma idade, não com um pedestal.

589680270 18547084498053120 6585707175767532832 n
Bruna contou que recebeu o diagnóstico no fim de dezembro de 2025. Foto: Reprodução/ Instagram

Quando o câncer entrou em cena, esse terreno já estava preparado. O que mudou foi o roteiro. O lifestyle não desapareceu, ele ganhou cicatrizes. O espelho não virou inimigo, virou testemunha. E o feed passou a funcionar como um diário sem edição pesada, desses que não pedem permissão para existir.

Bruna transformou o tratamento em narrativa porque entendeu algo simples e poderoso. Silêncio também comunica. E ela escolheu não silenciar. Mostrou consultas, exames, sessões de quimio e, no meio disso tudo, pilates, risadas, pequenas vitórias e dias em que levantar da cama já era um ato heroico. Nada romantizado. Nada pasteurizado. Vida real, com filtro humano.

Há uma frase dela que corta como bisturi. Ela não quer que o tratamento atrapalhe a juventude, nem que a juventude atrapalhe o tratamento. É aí que mora o impacto. Porque o câncer costuma roubar futuro. E Bruna decidiu não entregar o dela sem briga.

497330629 18506309191053120 2732565991084862076 n
Ela disse que decidiu tornar o diagnóstico público para alertar outras mulheres jovens. Foto: Reprodução/ Instagram

Nos comentários, meninas da mesma idade aparecem assustadas, gratas, apavoradas e acolhidas ao mesmo tempo. Porque, de repente, o câncer de mama deixou de ser “coisa de depois” e ganhou nome, rosto e 24 anos. Bruna não virou símbolo por estratégia. Virou porque existiu em voz alta.

Hoje, ela ocupa um lugar incômodo e necessário. O da paciente que continua sendo criadora. O da jovem que fala de boletos, sonhos e quimioterapia na mesma semana. O da mulher que não pede desculpa por estar viva enquanto trata uma doença grave.

É fofoqueiro dizer? Talvez. Mas é verdade. Bruna Furlan não está apenas enfrentando um câncer. Está reescrevendo o que significa adoecer jovem em público. E isso, goste ou não, muda o jogo para muita gente que ainda achava que esse tipo de diagnóstico só chegava “mais pra frente”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado