Brasil, eu vivi para ver esse momento e posso afirmar com a mão no coração e o cabelo armado de emoção. Ontem, enquanto o Grammy acontecia lá fora, Caetano Veloso estava tranquilíssimo na cama, de camiseta branca, mexendo no celular, quando recebeu a notícia da vitória. Nada de tapete vermelho, nada de discurso ensaiado, só a cena mais elegante possível, um gênio brasileiro sendo avisado que ganhou mais um troféu internacional como quem recebe uma mensagem de bom dia.
Caetano liga para Maria Bethânia na mesma hora, daquele jeito doce e direto, e solta um parabéns pra nós que já entrou para a história. Bethânia, diva absoluta, responde com a naturalidade de quem atravessou décadas sem pedir licença. Ah, já teve, foi. Eu nem sabia que horas era. Pronto. O Brasil inteiro ajoelhou emocionalmente na sala.
Os dois venceram com o álbum Caetano e Bethânia Ao Vivo, levando o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Bethânia conquista o primeiro Grammy da carreira, aos 80 anos que ela completa em junho, enquanto Caetano soma o terceiro troféu, depois das vitórias em 2000 e 2001. A estatueta foi recebida por Dee Dee Bridgewater em nome dos brasileiros, porque nossos ícones estavam ocupados vivendo, que é o verdadeiro luxo.
E deixa eu dizer uma coisa, com toda a teatralidade que me cabe. Bethânia entra para a história como a primeira intérprete de MPB a vencer um Grammy. Isso não é detalhe, isso é marco cultural com cheiro de incenso, palco escuro e luz batendo no rosto no tempo certo. Caetano segue no seu lugar habitual, o de monumento vivo, sem precisar provar nada para ninguém.

Enquanto o mundo da música disputa holofote, look e after party, Caetano e Bethânia ganham prêmio de pijama, com afeto, ironia fina e zero ansiedade. Ícones fazem assim. O resto corre atrás.