Confesso, eu já vi muita entrada triunfal em quadra, mas poucas com tanto impacto emocional quanto essa. Antes mesmo da bola subir no Rio Open, quem roubou a cena foram eles, os chamados CãoDulas, cães resgatados que entraram lado a lado com os atletas e bagunçaram o emocional da arquibancada inteira. Teve suspiro, teve celular levantado, teve gente fingindo que era suor no olho.

A estreia de Guto Miguel contra o lituano Vilius Gaubas virou pano de fundo para uma ação que mexe com o que realmente importa. GoldenN levou cães resgatados para o centro do maior torneio de tênis da América do Sul e fez o esporte dividir holofote com uma pauta que costuma ser ignorada fora das redes sociais. Abandono, cuidado e responsabilidade ganharam palco nobre, luz boa e aplauso espontâneo.

O Rio Open acontece de 14 a 22 de fevereiro, no Jockey Club Brasileiro, e virou cenário de histórias que dariam filme. Uma dessas estrelas atende pelo nome de Pedro Augusto, um vira lata que chegou ao resgate em estado grave e hoje desfila saudável, sociável e completamente apaixonado por bolinhas. Sim, ele conquistou o público com mais facilidade do que muito tenista famoso.
Ao lado dele estavam Marieta, Cristiane e Rodolfo, cães que carregam no corpo e no olhar marcas de abandono, fome, medo e negligência. Agora carregam outra coisa, visibilidade. A quadra virou vitrine de transformação e mostrou que uma chance bem dada muda tudo, inclusive destinos que pareciam perdidos.

GoldenN patrocinadora do evento desde 2016, sabe muito bem onde está pisando. O torneio tem alcance nacional e internacional, e a marca resolveu usar essa projeção para dar protagonismo a quem quase nunca tem voz. Segundo Felipe Mascarenhas, Head de Marketing da empresa, colocar esses cães no centro da cena amplia o debate e reforça a adoção como compromisso sério, não como impulso fofo de domingo.

E como se já não fosse emocionante o suficiente, ainda tem padrinhos famosos no roteiro. André Marques, Daniele Suzuki, Laura Leão e Mari Lobo entraram na história emprestando nome, afeto e visibilidade. É o tipo de elenco que funciona, porque chama atenção sem tirar o foco da causa.
Eu observei tudo com aquele olhar de quem já viu muita ação de marketing vazia. Aqui, a coisa foi diferente. Quando um cão resgatado pisa numa quadra dessas, ele não está ali para enfeitar o evento. Ele está ali contando uma história que muita gente prefere não ver. E dessa vez, ninguém conseguiu fingir que não era com ele.
Se o Rio Open é esporte de alto nível, essa noite provou que também pode ser palco de consciência. E olha, teve gente saindo do Jockey falando menos de tênis e mais de adoção. Quando isso acontece, alguma coisa deu muito certo.