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Kátia Flávia
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Cadu Libonati lança podcast e convoca elenco de peso para se salvar

Depois de viver Túlio em Eta Mundo Melhor, Cadu Libonati já engatou um novo projeto autoral. O ator estreia em 17 de março o podcast Salvando Cadu, com convidados como Thomás Aquino, Juan Paiva, Alice Carvalho e Irene Ravache, em plataformas digitais e no YouTube.

Kátia Flávia

16/03/2026 18h00

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Cadu Libonati lança podcast “Salvando Cadu” | Crédito: Victor Pollack

Eu recebi essa informação, por fonte, com aquele ar de bastidor que me faz largar a taça e prestar atenção feito atriz veterana ouvindo nomeação de elenco. Cadu Libonati, que acabou de passar por Eta Mundo Melhor na pele de Túlio, resolveu transformar inquietação em produto e vai lançar o podcast Salvando Cadu. O nome já me pegou de primeira, porque tem uma coisa de confissão existencial com embalagem pop, quase um personagem bonito, cansado e inteligente tentando se entender em voz alta diante de convidados que também têm assunto, trajetória e, espero eu, coragem de render boas conversas.

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Cadu vai receber nomes como Thomás Aquino, Juan Paiva, Alice Carvalho, sua avó Irene Ravache e outros artistas. O programa estreia, no dia 17 de março, em todas as plataformas digitais e YouTube. | Crédito: Victor Pollack

A proposta é simples e esperta, o que hoje já parece artigo de luxo. Cadu recebe colegas de profissão para falar do que existe de menos óbvio na vida deles, mirando os próprios dilemas e também os impasses dos convidados. Olha, meu amor, eu gosto quando alguém vende uma ideia sem precisar me jogar um manifesto de vinte páginas na cabeça. Tem conceito aí, claro, mas tem também apelo. O título Salvando Cadu carrega uma ironia boa, um charme de autoanálise pública e um perfume de série de streaming em que o protagonista senta num sofá bonito para desmontar a própria alma em episódios semanais.

E o elenco de convidados ajuda a notícia a ganhar musculatura. Thomás Aquino, Juan Paiva, Alice Carvalho, Irene Ravache, já tem mistura de gerações, repertórios e energias bem diferentes, o que pode impedir aquela tragédia contemporânea chamada podcast com cara de reunião morna de amigos bonitos concordando sobre tudo. Eu, que sou fofoqueira com diploma imaginário em antropologia de bastidor, sempre fico alerta quando um ator entra nesse território, porque tanto pode sair dali uma joia de conversa quanto um desfile de frase decorativa. Neste caso, o texto de divulgação aponta para um caminho mais íntimo, menos chapa branca, e isso me interessa mais do que muito lançamento embalado como evento histórico só porque veio com foto em fundo de cimento queimado.

Também tem um movimento de carreira aí que merece nota. Depois de novela, Cadu avança para um projeto em que controla o tom, a pauta e a própria narrativa, sem depender apenas do texto dos outros. Isso diz bastante sobre o momento de artistas que querem ocupar mais espaço como criadores, apresentadores e condutores de conversa. Eu acho chique? Acho. Acho arriscado? Também acho, e justamente por isso fica mais interessante. Podcast bom depende de escuta, presença, ritmo e certa coragem de não posar o tempo inteiro. Câmera e microfone, meu bem, são cruéis com qualquer vaidade mal administrada.

Confesso que torci o nariz no começo porque o título Salvando Cadu tem um potencial enorme de soar autocentrado, mas depois pensei melhor e até gostei da provocação. Tem humor, tem consciência de imagem e tem uma dose saudável de personagem de si mesmo, coisa que artista sabe fazer quando quer seduzir sem implorar atenção. Agora eu quero ver se a conversa vem com nervo, porque convidado famoso e foto bonita até catálogo de moda entrega. O que separa um podcast esquecível de um babado que vicia é aquilo que escapa do script. E, sinceramente, eu adoro assistir de camarote quando alguém bonito, talentoso e bem vestido resolve se analisar em público.

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