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Kátia Flávia
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Cadê o Jacaré? Ex-É o Tchan troca a fama por cargo de chefia no Canadá

Edson Cardoso deixou os palcos, vive fora do Brasil desde 2016 e hoje supervisiona uma equipe em empresa que restaura imóveis atingidos por alagamentos e incêndios.

Kátia Flávia

07/08/2026 16h58

Edson Cardoso, o Jacaré, vive no Canadá desde 2016 e trabalha em uma empresa de restauração

Edson Cardoso, o Jacaré, vive no Canadá desde 2016 e trabalha em uma empresa de restauração

Em Ibiza, quase às 20h, pós-pôr do sol, com a taça no fim e o garçom me oferecendo um cardápio como se eu ainda tivesse condições de decidir qualquer coisa, quando apareceu a pergunta: “Cadê o Jacaré?”. Minha filha, se teve um homem que fez o Brasil inteiro dobrar o joelho na frente da televisão, foi ele.

Jacaré, ex-dançarino do É o Tchan, está vivendo uma realidade bem diferente daquela que o transformou em um dos rostos mais conhecidos dos anos 1990. Aos 52 anos, Edson Cardoso mora no Canadá desde 2016 e trocou os palcos, os programas de auditório e as coreografias históricas por um cargo de chefia em uma empresa de restauração de imóveis.

O ex-dançarino trabalha em uma companhia especializada na recuperação de casas atingidas por alagamentos e incêndios. Quando algum imóvel sofre esse tipo de dano, as seguradoras acionam a empresa para realizar o serviço de restauração.

“Eu trabalho em uma empresa de restauração. Aqui acontecem muitos alagamentos e incêndios. Quando isso acontece, o seguro entra em contato com a empresa, e nós fazemos a reforma”, explicou Jacaré.

E não pense que ele está por lá carregando nostalgia em caixa de papelão. Jacaré cresceu dentro da empresa, foi promovido e atualmente ocupa o posto de supervisor do setor de “contents”, responsável pelos objetos e pertences que ficam dentro dos imóveis durante as obras.

“Hoje sou supervisor do setor de ‘contents’, que cuida de tudo o que está dentro da casa. Minha equipe deixa o imóvel vazio para a reforma e depois coloca tudo de volta no lugar”, contou.

Achei chique. O homem saiu do “segura o Tchan” para o “segura esse sofá que a casa alagou”, agora com crachá, equipe e responsabilidade. Tem carreira que a gente entende na hora. Tem recomeço que precisa atravessar continente, encarar neve e descobrir que estabilidade também pode ser coreografia.

Jacaré vive no Canadá com a esposa, Gabriela Mesquita, e é pai de dois filhos. Além da nova rotina profissional, ele participa de campanhas direcionadas a brasileiros interessados em morar no país. Gabriela trabalha como consultora e auxilia famílias que planejam começar uma nova vida por lá.

Enquanto eu tentava escolher entre pedir peixe grelhado ou fingir que azeitona conta como jantar, fiquei pensando no tamanho dessa virada. O Brasil conheceu Jacaré no auge do É o Tchan, quando o grupo era um fenômeno popular capaz de dominar programas de televisão, rádios, festas e qualquer quintal onde houvesse espaço suficiente para tentar reproduzir uma coreografia.

Ao lado de nomes como Compadre Washington, Beto Jamaica, Carla Perez, Scheila Carvalho e Scheila Mello, Jacaré se tornou uma das figuras mais reconhecidas daquela fase do axé e permaneceu durante anos associado aos passos que ajudaram a transformar o grupo em fenômeno nacional.

Hoje, longe dos holofotes, ele parece ter encontrado outro tipo de sucesso. Menos aplauso, mais rotina. Menos câmera, mais estabilidade. Menos “olha a boquinha da garrafa”, mais “vamos devolver os móveis depois da reforma”.

E quer saber? Eu respeito. Reinventar a própria vida sem ficar preso ao personagem que o país decorou também exige talento. Jacaré pode ter saído dos palcos, mas continua sabendo fazer movimento difícil.

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