Eu estava em Roma, belíssima, perigosamente bem servida por um restaurante cinco estrelas, tentando dar atenção a um risoto muito mais honesto que muita reunião de diretoria, quando o telefone tocou. Do outro lado, um executivo da BYD do Brasil me liga com voz de quem sabia que estava entregando um fato graúdo. A Dahruj Rent a Car vai comprar 2 mil carros da marca. Sim, duas mil unidades, porque tem gente que entra no mercado e tem gente que resolve ocupar o salão principal.
O anúncio coloca a Dahruj no jogo dos eletrificados em escala mais parruda, agora com foco em veículos por assinatura. A locadora, presente em todo o estado de São Paulo, vai colocar os modelos para rodar com clientes da região. Traduzindo sem firula, a BYD está se enfiando de vez num território onde volume, giro e revenda valem mais do que powerpoint com palavra em inglês.
A empresa fez questão de embalar a história com outro número de respeito, a venda anterior de 10 mil unidades para a Localiza, para deixar claro que essa negociação com locadoras não caiu do céu nem saiu de um almoço animado. Tem estratégia aí, tem pressão comercial e tem uma marca querendo colar no imaginário do brasileiro a ideia de que carro elétrico já deixou de ser capricho de nicho. Nessa mesa, ninguém está brincando de futuro. Estão fechando contrato no presente.
Também entrou no pacote o discurso sobre revenda, com a BYD citando dados de mercado para mostrar que seus modelos têm boa liquidez entre os seminovos. E esse ponto interessa demais às locadoras, porque ninguém compra frota grande para posar de moderno no estacionamento. Compra para rodar, renovar e revender sem virar refém de encalhe com tomada.