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Kátia Flávia
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Bruno Guerra da Endemol mostra que o futuro da TV não cabe mais só na TV

Executivo da Endemol Shine Brasil usa o MasterChef para mostrar como um mesmo conteúdo pode gerar audiência, engajamento e negócios em diferentes plataformas. Para Bruno Guerra, TV aberta, streaming, YouTube e redes sociais não precisam disputar público: podem alimentar o mesmo ecossistema.

Kátia Flávia

30/08/2026 11h24

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VP de Produção da Endemol Shine Brasil defende integração entre criatividade, tecnologia e estratégia de negócios diante da transformação da televisão.

Domingo no Cosme Velho, meus amores. Eu tinha acabado de tomar meu suco de pera, cabelo devidamente hidratado e uma rara disposição para ouvir gente falando de futuro sem querer vender fumaça. Foi quando parei para acompanhar o competentíssimo e, preciso registrar, charmoso Bruno Guerra falando sobre as novas formas de consumir audiovisual.

E Bruno tocou exatamente numa ferida que muita gente da televisão ainda prefere cobrir com maquiagem: o público mudou. E não adianta produzir um programa hoje imaginando que todo mundo vai sentar no sofá, ligar a televisão às dez da noite e permanecer ali comportadinho até os créditos finais.

O espectador está na TV aberta, na TV paga, no streaming, no YouTube e nas redes sociais. Está no ônibus vendo um corte, no metrô acompanhando uma eliminação e no Instagram compartilhando uma frase que virou meme. Para Bruno, o desafio é entender rapidamente essas reações do público e do mercado sem mutilar a ideia original do programa.

E foi aí que ele puxou um case que eu adoro porque número bom me deixa mais desperta que café: MasterChef Brasil. A franquia está presente em mais de 35 países e a versão brasileira atravessou a marca de 12 anos no ar. Só que o mais importante não é apenas a longevidade. É entender onde esse público está.

Executivo levou debate sobre o futuro do audiovisual à SET Expo 2026.

Na televisão aberta, existe o MasterChef pensado para o consumo tradicional e para as necessidades comerciais dos patrocinadores. Na TV paga, segundo Bruno, o programa é a maior audiência do canal em que passa. No streaming, aparece entre os três conteúdos mais assistidos da plataforma mencionada por ele. No dia seguinte à exibição na TV aberta, está no YouTube. E nas redes sociais ganha outra vida com participantes, cortes, frases, memes e momentos que continuam circulando muito depois do episódio.

A frase de Bruno que eu anotaria com caneta vermelha na agenda é simples: “Uma plataforma não anula a outra.”

Pronto. É aqui que está o viés business dessa história. Durante anos, o mercado discutiu qual plataforma mataria qual. Streaming mataria televisão. Internet mataria programação linear. Vídeo curto acabaria com conteúdo longo. O que o MasterChef demonstra, na leitura apresentada por Bruno, é outra possibilidade: o mesmo produto pode ganhar dinheiro, relevância e público em ambientes diferentes, desde que seja pensado para circular entre eles.

E tem uma segunda camada ainda mais interessante. O programa já escapou da própria televisão. A Endemol trabalha com licenciamento e eventos, e MasterChef virou também produto, marca e experiência, chegando inclusive a restaurante. O consumidor não precisa mais apenas assistir ao programa. Ele pode literalmente entrar no universo daquela propriedade.

Meu suco de pera já tinha terminado quando percebi que Bruno estava falando menos sobre o futuro da televisão e mais sobre o futuro do negócio do entretenimento.

Porque audiência, hoje, não é apenas aquela criatura que ficou duas horas diante da televisão. É também quem viu o corte, comentou, compartilhou, acompanhou o participante, consumiu no streaming, comprou um produto ou decidiu viver uma experiência ligada à marca.

E talvez esteja justamente aí a grande lição desse domingo no Cosme Velho: a televisão não ficou pequena. O negócio em torno dela é que ficou muito maior.

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