Estou em Sintra, quieta na minha residência em Beloura, quando volto a uma história que já vinha acompanhando desde que soube da morte de Paulo César Marques, pai de Bruno Gagliasso. Luto não é lugar para deboche. Mas o que aconteceu no velório, no Rio, merece ser contado: depois de anos de brigas públicas e rompimento, Bruno e Thiago Gagliasso se abraçaram.
Thiago contou que evitou aparecer diante das câmeras e esperou o momento que considerou adequado para ir à despedida. Segundo ele, queria respeitar a família e não transformar o enterro em palco. Foi quando conseguiu encontrar Bruno. “No momento certo, eu pude dar um abraço no meu irmão”, relatou.

A história pesa justamente pelo passado dos dois. Bruno e Thiago, irmãos por parte de mãe, Lúcia Gagliasso, estavam com as relações cortadas havia cerca de oito anos. As divergências entre eles extrapolaram a vida privada e se tornaram públicas, inclusive com posições políticas distintas.
Só que, diante da morte, Thiago fez questão de colocar outra coisa acima disso. Disse que ficou feliz por conseguir estar ao lado do irmão naquele momento e fazer sua oração de despedida para Paulo César “em paz, sem nenhum holofote”. Também afirmou acreditar que o pai de Bruno torcia pelo fim da briga.

E é aqui, olhando essa história de Sintra, que a política fica exatamente no lugar em que deveria ficar numa hora dessas: do lado de fora. Bruno e Thiago continuam sendo homens com opiniões e trajetórias diferentes. Na despedida de um pai, porém, foram antes de tudo irmãos. E um abraço conseguiu dizer o que oito anos de discussão pública não disseram.