Amadas, eu acordo nessa manhã achando que o dia ia ser normal, café na mão, cabeça funcionando devagar, quando o telefone toca. Do outro lado da linha, uma amiga direto do Sul da França, com a voz embargada. França em luto, ela me diz. Eu gelada, pergunto o porquê. E aí vem a bomba. Brigitte se foi. Eu fiquei sem chão, sem reação, completamente perplexa. Porque Brigitte não era só uma atriz, não era só um rosto bonito, não era só um mito. Era um ícone. Daqueles que atravessam décadas, modas, gerações. Uma mulher que marcou o mundo do jeito dela, pagando um preço alto por isso. Confesso, fiquei transtornada. Porque quando uma Brigitte Bardot parte, não é só uma pessoa que vai. É um pedaço da história que se despede.
Brigitte Bardot morreu neste domingo aos 91 anos em sua casa em Saint-Tropez, no sul da França, anunciou a fundação que leva seu nome. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente – e nenhum órgão de imprensa conseguiu confirmar detalhes médicos até o momento. Ela havia passado por uma internação no hospital Saint-Jean, em Toulon, no outono europeu, para um procedimento relacionado a uma doença grave, mas tinha recebido alta e voltado à sua residência.

Claro, a notícia da sua morte vai dominar f eeds, portais e redes. E com razão: Bardot foi uma das figuras mais influentes do cinema do século XX, musa de E Deus Criou a Mulher em 1956 e símbolo global de sensualidade e liberdade em épocas muito menos permissivas. 
Mas mesmo com toda essa atenção legítima sobre o fim da vida dela, há um aspecto que quase ninguém está explorando – e que diz mais sobre quem ela foi do que qualquer manchete sobre o falecimento.
Bardot foi uma das primeiras grandes celebridades a sentir, na pele, o preço brutal da própria imagem. Antes do Instagram, antes dos tabloides modernos, antes de toda campanha de marketing pessoal, ela já vivia sob o fardo de ser objeto de desejo, julgamento e grande exposição. Não era apenas estrela. Era estudo público de narrativa pessoal muito antes desse termo existir.

Enquanto a maioria lembra dela como símbolo sexual, pouca gente destaca que a fama que a colocou no topo também começou a corroê-la. Ela foi perseguida, analisada e reduzida a ícone a tal ponto que, nos anos 70, abandonou o cinema no auge e se isolou em Saint-Tropez, dedicando sua vida à proteção dos animais. Não foi fuga fútil. Foi uma tentativa de sobreviver ao esmagamento de sua própria imagem. 
A atriz passou décadas longe da mídia de entretenimento. Sua fundação de defesa animal, criada em 1986, virou sua principal obra. Mesmo assim, Bardot permaneceu uma figura controversa, por vezes criticada por posições políticas e declarações que lhe renderam condenações na França. 
O que poucas pessoas mencionam é que ela viveu décadas lutando com a sobrecarga emocional que a fama trouxe. Houve momentos documentados de sofrimento psicológico e até tentativas de suicídio no passado.  Isso a coloca em um lugar que hoje tantas celebridades digitais começam a discutir: o custo humano da exposição pública extrema.
Muita gente vai lembrar da morte dela. Mas a história de como ela viveu com aquilo que o mundo fez dela — e como isso moldou a própria decisão de se afastar do centro das atenções — ainda diz mais sobre quem Brigitte Bardot realmente foi. E talvez explique por que, mesmo aos 91 anos, ela ainda era uma figura tão capaz de provocar debate, paixão e divisão.