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Kátia Flávia
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Brasil não sabe lidar com laudo: polícia crava morte natural de Henrique Maderite, mas o zap quer assassinato

Perícia aponta causa natural e PM descarta violência na morte do influenciador do sextou, BB; mesmo assim, corte na nuca, sangue no ouvido e marca no pescoço viram combustível de fanfic em grupos de WhatsApp.

Kátia Flávia

07/02/2026 8h18

Perícia aponta causa natural e PM descarta violência na morte do influenciador do sextou, BB; mesmo assim, corte na nuca, sangue no ouvido e marca no pescoço viram combustível de fanfic em grupos de WhatsApp.

Amores , nem todo mistério é crime, mas o Brasil insiste em transformar laudo em série da Netflix. No caso de Henrique Maderite, a novela terminou rápido para quem interessa. Polícia Militar e perícia fecharam a história como morte natural, ponto final. Sem suspense, sem vilão oculto e sem aquele final aberto que o zap tanto ama.

Henrique, conhecido nacionalmente pelo bordão do “sextou, Bebê!”, foi encontrado já sem vida no haras em Amarantina, distrito de Ouro Preto, em Minas Gerais, na mesma sexta-feira em que o Brasil repetia a frase dele como mantra de sobrevivência semanal. A PM foi acionada por vizinhos e, desde o primeiro atendimento, tratou o caso como morte natural, sem qualquer indício de crime em andamento.

A perícia da Polícia Civil entrou, fez o trabalho técnico e confirmou a linha. Mal súbito, compatível com um infarto fulminante sofrido naquela tarde. Informações apuradas nos bastidores coincidem com relatos de amigos próximos a veículos locais. Para a investigação, não existe mistério a ser decifrado. Henrique não foi silenciado. O corpo falhou, não a segurança.

Só que o Brasil tem uma relação complicada com relatório técnico. Bastou parte das informações circular fora de contexto para o WhatsApp começar a escrever sua própria versão da história. Sangramento em um dos ouvidos, corte na parte de trás da nuca, marca roxa no pescoço. Em grupo de família, isso vira crime perfeito em três áudios. No papel oficial, vira algo bem mais básico. Sinais compatíveis com queda após um mal súbito.

A Polícia Militar foi clara ao classificar como não verídicas as versões de assassinato. Reiterou que não há indício de violência intencional no corpo nem no cenário. Antes disso, um enfermeiro tentou reanimar Henrique no local e uma médica do Samu apenas confirmou o óbito. Não teve perseguição, não teve fuga, não teve suspeito. Teve um homem de 50 anos que passou mal, caiu, se feriu e não resistiu.

Eu sei, é frustrante. A internet gosta de trama, vilão e reviravolta. Morte natural não engaja, laudo não viraliza e perícia não manda áudio emocionado. Mas jornalismo não trabalha para satisfazer curiosidade conspiratória. Trabalha com fato.

Neste caso, o fato é simples, direto e oficialmente cravado. Henrique Maderite morreu de causa natural. O resto é barulho digital tentando transformar um corpo que falhou em roteiro de streaming. E nem toda história precisa de assassino para ser trágica.

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