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Kátia Flávia
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Brasil já mira turista muçulmano e mercado halal de R$ 1,88 tri no Ceará

No Salão do Turismo, em Fortaleza, o Brasil debateu como atrair viajantes muçulmanos e disputar um mercado global estimado em R$ 1,88 trilhão até 2028. E eu achando que luxo era vista para a Lagoa, meu amor.

Kátia Flávia

10/05/2026 10h18

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Salão do Turismo debate como atrair turista muçulmano, de olho em um mercado que deve movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028. (Foto: Reprodução/Revista Paraná)

Eu estava tomando café da manhã na casa de uma amiga na Lagoa Rodrigo de Freitas, com a mesa parecendo cenário de novela das nove e uma jarra de suco verde me julgando, quando me caiu no colo esse babado bilionário: o Brasil quer entrar de vez na rota do turista muçulmano. E não estamos falando de lembrancinha de aeroporto, minha filha, estamos falando de turismo halal, um mercado que pode movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028. Quase derrubei o croissant dentro da coalhada.

O assunto foi debatido no Salão do Turismo, em Fortaleza, em um workshop sobre turismo e hospitalidade para o mercado halal, organizado pelo Ministério do Turismo. A ideia é preparar o país para receber melhor viajantes muçulmanos, respeitando regras de alimentação, espaços de oração, privacidade, lazer e serviços adaptados aos princípios islâmicos. Ou seja, acabou a era do “vai no improviso que dá certo”, porque turista exigente não atravessa o planeta para ser tratado como figurante perdido no Projac.

O dado que faz qualquer secretário de turismo levantar da cadeira é esse: segundo a projeção apresentada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, o mercado halal no turismo deve chegar a R$ 1,88 trilhão em 2028. Em 2023, esse público movimentou US$ 217 bilhões, e a expectativa é de crescimento forte nos próximos anos. Minha amiga, que só entende de dólar quando vai para Miami, parou de passar manteiga no pão na mesma hora.

O Brasil tem uma vantagem que não é pequena: já exporta proteína animal halal para dezenas de países e conhece a lógica da certificação nesse setor. Agora, o desafio é levar esse know-how para hotelaria, passeios, restaurantes, eventos e atendimento turístico. Com voos mais conectados entre o Brasil e países do Golfo, o país pode parar de olhar apenas para Europa e Estados Unidos e começar a paquerar um viajante que gasta bem e exige respeito cultural.

E aqui entra o detalhe que separa turismo sério de folder bonito: receber turista muçulmano não significa só tirar porco do cardápio. Tem alimentação certificada, ausência de álcool em pratos específicos, indicação da direção de Meca nos quartos, horários de oração, privacidade em piscinas e spas, além de atenção à sustentabilidade, que também pesa na escolha desse público. Quem achar que basta botar “halal” numa placa vai passar vergonha internacional, e eu não tenho blush suficiente para cobrir esse mico.

Saí daquele café na Lagoa convencida de uma coisa: o Brasil está diante de um mercado riquíssimo e ainda pouco explorado por aqui. Se fizer direito, vira destino acolhedor, sofisticado e competitivo. Se fizer de qualquer jeito, vira aquele parente que compra perfume falso no free shop e jura que está abafando.

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