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Kátia Flávia
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Boni revela que Globo chamou de “tolice” a ideia de criar uma nova Xuxa

Ex-executivo mostrou memorando de 1992, escrito meses antes do fim do “Xou da Xuxa”, e explicou como a emissora planejava preencher o vazio da programação infantil

Kátia Flávia

01/09/2026 15h13

Boni mostrou memorando de 1992 sobre o fim do Xou da Xuxa

Boni mostrou memorando de 1992 sobre o fim do Xou da Xuxa

Boni revelou um memorando escrito em 2 de setembro de 1992, quatro meses antes do fim do Xou da Xuxa, no qual discutia o futuro da programação infantil da Globo. No documento, o então vice-presidente de operações da emissora defendia que repetir a fórmula com outra apresentadora seria um erro.

Eu estava na área de serviço do Cosme Velho, tirando as camisas de linho da máquina antes que elas decidissem sair todas amassadas, quando li a frase. Parei com uma manga na mão. Porque, em 1992, a Globo já sabia que Xuxa não era formato, cenário ou paquita: Xuxa era Xuxa.

“Insistir no formato ‘Xou da Xuxa’ sem a Xuxa seria uma bobagem. Inventar uma nova Xuxa seria uma tolice ainda maior”, escreveu Boni. O memorando indicava que a emissora buscava novas formas de ligar os desenhos, com menos auditório e possibilidades envolvendo bonecos.

A solução viria poucos meses depois. O Xou da Xuxa ficou no ar até 31 de dezembro de 1992 e, em abril de 1993, a Globo estreou a TV Colosso. O programa comandado por bonecos misturava humor e desenhos, exatamente na direção que Boni dizia procurar naquele papel guardado há mais de três décadas.

Dobrei uma camisa, pendurei outra e fiquei pensando que a televisão de antigamente tinha uma objetividade que hoje renderia umas quinze reuniões e um PowerPoint com o título “reposicionamento de marca infantil”. Boni olhou para o maior programa da época e disse, em resumo: não vamos fabricar cópia.

Ele também contou que criou o nome Xou da Xuxa, com o X no lugar do Ch. “Eu tenho um carinho imenso pela Xuxa, e fui eu o criador do título do programa. Eu que inventei o Xou com X”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

O executivo explicou que imaginava uma mudança gradual de público para a apresentadora, não um abandono das crianças. “Que ela não abandonasse os baixinhos, mas que ela fosse se dirigir a um outro tipo de público. Me parecia que isso aconteceria normalmente”, disse.

A previsão não se cumpriu como ele imaginava. “Na verdade, a Xuxa permaneceu fiel aos baixinhos e os baixinhos fiéis à Xuxa”, reconheceu Boni. A resposta está aí até hoje, na atual turnê O Último Voo da Nave, que reuniu cerca de 50 mil pessoas na estreia em São Paulo e teve datas extras esgotadas.

Quando terminei de pendurar as roupas, achei que a lição era bem simples: ninguém substitui uma estrela tentando vestir outra pessoa com o mesmo figurino. A Globo criou a TV Colosso, Xuxa seguiu sendo Xuxa e os baixinhos, como disse Boni, “de toda natureza” continuam amando a Rainha.

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