Eu olho essa história e já vejo o roteiro inteiro passando na minha frente, com trilha dramática e close no drama. A Polícia Federal fez a perícia, olhou, avaliou, conversou e saiu com um veredito que não tem filtro de Instagram nem música triste de fundo. Segundo os médicos, Jair Bolsonaro não sofre de depressão e está em ambiente controlado, com estrutura suficiente para lidar com seus outros problemas de saúde. Traduzindo para a língua do bar, não tem atestado emocional para trocar a cela pelo sofá de casa.
A família pediu, os médicos particulares tentaram, o argumento foi empilhado com cuidado, mas o laudo oficial foi direto. Nada de transtorno depressivo comprovado, nada de relatório psiquiátrico anexado aos autos. O papel diz o que diz e não diz o que não existe. Simples assim.
Os peritos ainda listaram as necessidades do ex-presidente, dieta fracionada, controle rígido da pressão, hidratação adequada, prevenção de broncoaspiração e acesso periódico a exames. E aí vem o detalhe que dói mais do que agulha de exame. Tudo isso, segundo eles, é compatível com o ambiente carcerário. A cela ganhou carimbo de suficiente, com firma reconhecida.
O resultado foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que mandou o material para a Procuradoria-Geral da República. A decisão final só vem depois do parecer da PGR, mas o clima já ficou claro. A porta da prisão domiciliar não está exatamente aberta, está mais para encostada com chave passada.