Ratinho Júnior pode ter seus interesses, seus cálculos e seu próprio jogo, claro. Política não é retiro espiritual. Mas há uma diferença entre disputa legítima e essa compulsão quase infantil de sabotar qualquer nome que ouse existir fora da sombra dos Bolsonaro. O sujeito passa anos construindo capital político, governando, articulando, empilhando musculatura eleitoral, e aí aparece o clã com aquela delicadeza de retroescavadeira querendo decidir quem pode, quem não pode, quem sobe e quem deve se arrastar no chão. É sempre assim. O mérito dos outros, para eles, soa como insolência.
O mais cômico, se não fosse tão patético, é que essa turma vive vendendo a imagem de força, liderança e coragem. Coragem onde. Quem é forte de verdade não precisa sufocar aliado. Quem lidera de verdade não trata parceiro como empregado doméstico de palanque. O bolsonarismo criou uma lógica de seita em que todo mundo pode servir, desde que sirva calado. A regra é simples, vulgar e velha: se a luz é deles, aplauso. Se a luz é do outro, apaga. Não interessa se Ratinho Júnior entregou trabalho sério no Paraná, se tem grupo, base, tração e popularidade. Interessa o controle. Interessa a humilhação. Interessa lembrar a todos que, naquele universo, ninguém cresce sem pagar pedágio emocional à família.
No fim, sobra uma lição constrangedora para rato pai, rato filho e qualquer um que ainda ache que está lidando com um campo político minimamente civilizado. Não estão. Estão lidando com um projeto de poder que trata aliança como coleira. Para os amigos, tapinha nas costas enquanto forem úteis. Para os inimigos, guerra. E para os aliados que ousem ter ambição própria, o velho ritual de esmagamento público. Chamam isso de estratégia. Eu chamo de mediocridade com crachá. Porque quando um grupo só sabe brilhar apagando os outros, não estamos vendo liderança. Estamos vendo insegurança em estado terminal.