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Kátia Flávia
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Boca Rosa entra na mira da Grande Rio após saída relâmpago de Virginia

Bianca Andrade surge como forte candidata ao posto de rainha de bateria, mas a escola quer saber se ela topa entrega, cobrança e o pacote completo de crítica que vem junto com a coroa

Kátia Flávia

17/08/2026 16h57

Boca Rosa surgiu como forte candidata ao posto de rainha de bateria da Grande Rio

Boca Rosa surgiu como forte candidata ao posto de rainha de bateria da Grande Rio

Boca Rosa surgiu como uma forte candidata ao posto de rainha de bateria da Grande Rio após a saída de Virginia Fonseca. Segundo o portal LeoDias, Paolla Oliveira conversa com a escola, mas ainda não decidiu se voltará ao cargo, enquanto Bianca Andrade passou a ser vista como um nome possível para assumir a vaga.

Eu já estava deixando Ipanema, com a sacola da costureira no banco e o motorista tentando fugir de uma rua travada, quando uma carnavalesca me mandou áudio sem nem respirar: “agora é Boca Rosa na conversa”. Eu aumentei o volume na hora, porque no Rio, quando a palavra “rainha” aparece junto de “Grande Rio”, todo mundo vira comissão julgadora.

A saída de Virginia pegou a escola de surpresa, e o tempo é curto. O Carnaval 2027 acontece já no início de fevereiro, o que deixa pouco espaço para ensaio, adaptação, presença em quadra e construção de imagem com a comunidade. A Grande Rio precisa escolher alguém que não apenas brilhe na avenida, mas que aguente o bastidor.

Paolla Oliveira é o nome mais desejado por muita gente, mas ainda não bateu o martelo sobre um possível retorno. Mileide Mihaile, segundo a publicação, está fora de cogitação por já ter sido rainha de outra escola. Brunna Gonçalves também aparece como nome sensível, já que há receio de desagradar Gabriel Davi, da Beija-Flor, depois da saída polêmica dela da agremiação.

É nesse vácuo que Boca Rosa ganha força. Bianca já foi musa da Grande Rio por dois anos e saiu por vontade própria. Ou seja, conhece a escola, conhece a avenida e sabe que Carnaval não é só fantasia bonita no Instagram. Tem ensaio, chão, comunidade, bateria, cobrança e torcida pronta para medir cada passo.

E eu entendo a cautela. Rainha de bateria virou cargo de altíssima visibilidade e altíssima pancada. Se aparece pouco, dizem que não se entrega. Se aparece muito, dizem que quer palco. Se samba, analisam o quadril. Se não samba como esperam, vira meme. É uma coroa que vem com brilho, mas também com contrato emocional não assinado.

Boca Rosa, por outro lado, tem algo que interessa: sabe fazer imagem, sabe transformar presença em conversa e tem faro de marca. Depois do BBB, construiu um império próprio e aprendeu a ocupar narrativa como quem segura lançamento de produto. A dúvida é se essa inteligência de marketing combina com a entrega quente e popular que a Sapucaí cobra.

Eu olhei pela janela do carro, vi o fim de tarde começando a apertar o trânsito e pensei: a Grande Rio está atrás de uma rainha, mas também de uma solução urgente. Virginia saiu, Paolla pensa, Brunna pesa, Mileide não vai. Se Boca Rosa aceitar, entra numa vaga poderosa e perigosa. Porque coroa de rainha de bateria não é tiara de evento. É holofote aceso em cima da cabeça.

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