Boca Rosa surgiu como uma forte candidata ao posto de rainha de bateria da Grande Rio após a saída de Virginia Fonseca. Segundo o portal LeoDias, Paolla Oliveira conversa com a escola, mas ainda não decidiu se voltará ao cargo, enquanto Bianca Andrade passou a ser vista como um nome possível para assumir a vaga.
Eu já estava deixando Ipanema, com a sacola da costureira no banco e o motorista tentando fugir de uma rua travada, quando uma carnavalesca me mandou áudio sem nem respirar: “agora é Boca Rosa na conversa”. Eu aumentei o volume na hora, porque no Rio, quando a palavra “rainha” aparece junto de “Grande Rio”, todo mundo vira comissão julgadora.

A saída de Virginia pegou a escola de surpresa, e o tempo é curto. O Carnaval 2027 acontece já no início de fevereiro, o que deixa pouco espaço para ensaio, adaptação, presença em quadra e construção de imagem com a comunidade. A Grande Rio precisa escolher alguém que não apenas brilhe na avenida, mas que aguente o bastidor.
Paolla Oliveira é o nome mais desejado por muita gente, mas ainda não bateu o martelo sobre um possível retorno. Mileide Mihaile, segundo a publicação, está fora de cogitação por já ter sido rainha de outra escola. Brunna Gonçalves também aparece como nome sensível, já que há receio de desagradar Gabriel Davi, da Beija-Flor, depois da saída polêmica dela da agremiação.
É nesse vácuo que Boca Rosa ganha força. Bianca já foi musa da Grande Rio por dois anos e saiu por vontade própria. Ou seja, conhece a escola, conhece a avenida e sabe que Carnaval não é só fantasia bonita no Instagram. Tem ensaio, chão, comunidade, bateria, cobrança e torcida pronta para medir cada passo.
E eu entendo a cautela. Rainha de bateria virou cargo de altíssima visibilidade e altíssima pancada. Se aparece pouco, dizem que não se entrega. Se aparece muito, dizem que quer palco. Se samba, analisam o quadril. Se não samba como esperam, vira meme. É uma coroa que vem com brilho, mas também com contrato emocional não assinado.

Boca Rosa, por outro lado, tem algo que interessa: sabe fazer imagem, sabe transformar presença em conversa e tem faro de marca. Depois do BBB, construiu um império próprio e aprendeu a ocupar narrativa como quem segura lançamento de produto. A dúvida é se essa inteligência de marketing combina com a entrega quente e popular que a Sapucaí cobra.
Eu olhei pela janela do carro, vi o fim de tarde começando a apertar o trânsito e pensei: a Grande Rio está atrás de uma rainha, mas também de uma solução urgente. Virginia saiu, Paolla pensa, Brunna pesa, Mileide não vai. Se Boca Rosa aceitar, entra numa vaga poderosa e perigosa. Porque coroa de rainha de bateria não é tiara de evento. É holofote aceso em cima da cabeça.