Gente, para tudo. Eu saindo da manicure, unha secando, sandália na mão, quando o release me encontra e eu quase escorrego na saída do salão. Motivo? Boat Show 2026 decidiu que barco agora é mansão que sabe nadar.
O assunto oficial é o São Paulo Boat Show, de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo, o maior salão náutico da América Latina. Mas o assunto real é outro: o mercado descobriu que o bilionário cansou de gastar em apartamento e resolveu investir em barco que parece cobertura. Chama isso de “yacht standard”, eu chamo de Faria Lima flutuante.

Segundo a Savills, a régua agora é a mesma dos Hamptons e de Palm Beach: planta aberta, vidro do chão ao teto, marcenaria sob medida, tudo que já virou padrão em mansão de grife. A diretora do Grupo Náutica, Thalita Vicentini, resumiu bem: as embarcações viraram “verdadeiras mansões flutuantes, projetadas com todo o conforto de uma casa e sob a assinatura de renomados arquitetos”. Traduzindo o corporativês: rico não quer mais só velocidade, quer decoração de revista dentro do próprio barco.
E o desfile de marca teve peso de red carpet. A NX Boats lança oficial a NX 62 em parceria com a Pininfarina, aquele estúdio italiano lendário: power couple do design que promete cabine parecendo sala de estar. A Schaefer Yachts, catarinense raiz, trouxe portfólio que vai do lazer ao esportivo sem perder o sotaque made in Brasil. A Azimut apostou na Fly 58 puro “quiet luxury”: chique tanto que nem precisa gritar.

A Pelicanno investiu em madeira artesanal, tipo aquele móvel de marcenaria boa que custa o olho da cara. A Intermarine, clássica, deixa o dono escolher cada acabamento, feito reforma de apê de cobertura. E a De Antonio Yachts, espanhola, debutou por aqui escondendo até o motor de popa, questão de estética, óbvio.
Resumo da ópera: quem não tiver iate parecendo mansão esse ano tá fora da lista VIP da Faria Lima. E olha que eu nem cheguei no preço, gente. Isso aí é assunto pra outra coluna, com calculadora na mão.