Meus amores, eu estava em Roma, com o cabelo recém-saído da minha cabeleireira e um suco de laranja na mão, quando bati o olho nesse povo todo desfilando no espaço Bud e pensei, pronto, o camarote já escolheu seu elenco fixo. Bianca Andrade apareceu ali como quem conhece perfeitamente o valor de uma boa foto, de uma boa luz e de um bom paredão vermelho para carimbar presença. E aí vieram Cynthia Luz, Maurício Destri, Gabriela Rippi e mais uma leva de bonitos, famosos e convidados num daqueles ajuntamentos que festival adora produzir.

A Budweiser entrou no Lollapalooza Brasil 2026 reforçando a ligação histórica com música e festival, mas, claro, ninguém monta um espaço de 750 metros quadrados para 800 pessoas só para distribuir simpatia. O espaço Bud foi pensado como hub de experiência, com térreo, mezanino, cenografia e proposta visual ligada à nostalgia dos anos 1990 e 2000. Em português claro, meu bem, era o tipo de lugar feito para beber, posar, circular e sair de lá com conteúdo suficiente para alimentar feed, ego e algoritmo.


Bianca Andrade, que entende como pouca gente a liturgia da imagem pública, acabou virando um dos rostos mais chamativos desse pacote. E aí mora a graça da coisa, porque festival hoje já não vive só de line-up, vive de circulação de rosto conhecido, clique bem enquadrado e marca querendo virar assunto junto com celebridade. O palco é um, mas a disputa paralela corre no backstage instagramável, naquele metro quadrado em que todo mundo sorri como se estivesse casualmente maravilhoso às quatro da tarde.


Eu olho para esse tipo de movimento e vejo uma novela corporativa muito bem maquiada. A marca entrega cenário, o famoso entrega presença, o fotógrafo entrega prova e o público entrega desejo. Tô aqui em Roma, quase pausando a fofoca para marcar uma massagem, pensando que o show mesmo às vezes acontece fora do palco, no cantinho patrocinado onde a fama circula gelada, iluminada e sabendo exatamente onde precisa ser vista.

