Aqui de Milão, entre um espresso duplo e um olho torto no meu portfólio, meu celular toca e era uma fonte do mercado imobiliário morrendo de felicidade do outro lado da linha. “Kátia, você já sabe o que tá acontecendo em Penha?” Não sabia. Fui saber. E olha, fiquei parada.
Penha, Santa Catarina, gente. Aquela cidadezinha açoriana de 33 mil habitantes que a maioria dos paulistanos só conhece porque o filho pediu pra ir ao Beto Carrero, virou o novo endereço favorito do capital privado brasileiro com vocação internacional. O parque anunciou expansão de R$ 2 bilhões, com novas atrações chegando nos próximos anos, e a prefeitura confirmou R$ 25 milhões em obras de infraestrutura ao longo de 2026. Dinheiro público e privado chegando junto num destino turístico tem nome no mercado: ela foi escolhida. E ao lado do parque, o Amazon Parques & Resorts já está em construção, com mais de 20 mil metros quadrados, três torres, 420 leitos, capacidade pra 1.056 hóspedes, bandeira Wyndham Hotels & Resorts e afiliação à RCI, a rede global de intercâmbio de férias.

Nos grupos de WhatsApp do mercado imobiliário, isso circulou mais rápido do que resultado de eleição. Incorporadoras que nunca tinham ouvido falar de Penha estão agora pesquisando terreno no litoral norte catarinense com aquela cara de quem chegou atrasado na festa e ainda quer fingir que foi dos primeiros. A Wyndham no projeto funcionou como selo automático de credibilidade: quando uma bandeira global topa, o mercado entende o recado sem precisar de prospecto.

A leitura de Faria Lima aqui é direta: Penha está fazendo o movimento clássico de destino que quer subir de liga. Parque temático âncora, marca hoteleira internacional, multipropriedade com afiliação global e prefeitura investindo em infraestrutura ao mesmo tempo. A cidade também entrou pro RankBrasil preparando 1.307 litros de mariscada na Festa Nacional do Marisco, o que pode parecer folclore mas é branding territorial funcionando direitinho. Turista que vai pelo parque, fica pelo resort, volta pelo destino.

Minha fonte desligou o telefone dizendo que os terrenos ao redor já estão sendo negociados. E eu, daqui de Milão, só penso numa coisa: quem comprou cedo em Balneário Camboriú antes de virar o que virou está com aquele sorriso de quem não precisa explicar mais nada.