Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Bella Mantovani cria “Táxi do Gugu” 18+ e expõe os “não monogâmicos éticos”

A influenciadora adaptou o clássico quadro para as redes, testa a fidelidade dos passageiros e diz ter descoberto uma legião de homens comprometidos que juram ter “acordo” com a parceira. O termo da vez tem nome bonito, mas nem sempre tem combinado real.

Kátia Flávia

22/07/2026 9h23

Bella Mantovani transformou o clássico quadro de Gugu Liberato em uma versão para as redes sociais.

Bella Mantovani transformou o clássico quadro de Gugu Liberato em uma versão para as redes sociais.

Eu já estava esparramada na maca da drenagem, deixando a moça me amassar as pernas em nome da estética, quando abri o email e quase levantei da cama. Uma release pra lá de picante chegou e me fez esquecer a linfa: uma influenciadora transformou o velho “Táxi do Gugu” em versão para maiores e saiu por aí testando a fidelidade alheia. Pedi mais cinco minutos pra profissional, porque assunto de traição disfarçada de acordo é a minha praia predileta.

Vamos à história, que rende. A influenciadora Bella Mantovani, de 33 anos, criou uma adaptação 18+ do quadro imortalizado por Gugu Liberato, e a graça é justamente o roteiro: ela pega passageiros, começa perguntando se estão solteiros, namorando ou casados e, no meio do trajeto, vai apimentando a conversa com paquera pra ver quem resiste. Spoiler: muita gente não resiste. Segundo ela, homens que se dizem comprometidos passam a alegar que mantêm “acordos” com a parceira, e uma expressão em especial começou a pipocar nas gravações: “não monogamia ética”.

A influenciadora Bella Mantovani diz ter identificado um padrão curioso entre passageiros comprometidos.
A influenciadora Bella Mantovani diz ter identificado um padrão curioso entre passageiros comprometidos.

E aqui entra o bastidor delicioso que a Bella observou. Ela conta que o termo quase nunca aparece no começo da corrida, e sim quando o clima esquenta e a conversa fica mais íntima. Traduzindo o que ela flagrou: o sujeito entra no carro achando que vai bater um papo bobo, escuta uma cantada e, de repente, se lembra que a namorada “permite algumas experiências”. Como a própria influenciadora admite com toda a honestidade, ela não tem como confirmar se esse combinado existe de verdade fora das câmeras, o que já diz muito sobre a criatividade masculina em momento de aperto.

Agora deixa eu vestir o jaleco de plantonista do amor moderno, porque o assunto merece contexto sério no meio da farra. A não monogamia ética, também chamada de consensual, descreve relações em que todos os envolvidos sabem e topam a possibilidade de vínculos com terceiros, seja relação aberta, poliamor ou troca de casais. A diferença para a boa e velha traição está numa palavrinha só: consentimento. Quando existe combinado claro e todo mundo concorda, não há quebra de exclusividade. Quando um lado age escondido e só saca o termo chique pra se safar da cantada, meu bem, isso continua tendo o nome antigo de sempre.

O “Táxi do Gugu” ganhou uma releitura com humor e debates sobre relacionamentos.
O “Táxi do Gugu” ganhou uma releitura com humor e debates sobre relacionamentos.

Fico observando esse fenômeno com o maior deleite sociológico, porque nada é mais brasileiro que arrumar um nome bonito e importado pra justificar comportamento velho conhecido. A Bella teve a sagacidade de transformar corrida de aplicativo em pesquisa de campo sobre a moral alheia, e de quebra devolveu à internet aquele frisson de flagra que a gente adorava na TV de domingo. Saio da drenagem renovada, com as pernas mais leves e a certeza de uma coisa: da próxima vez que um cavalheiro me disser que vive uma “não monogamia ética”, eu vou pedir, com todo o carinho, pra ver o contrato assinado pela madame.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado