Eu pausei a vida real, meu amor, porque Alberto Cowboy resolveu montar um paredão com cheiro de final antecipada e Jonas Sulzbach apareceu no papel da consciência que ninguém pediu, mas todo grupo precisa quando a empolgação ameaça virar suicídio coletivo televisionado. Foi no quarto do líder, na madrugada desta sexta, que o empresário, líder pela terceira vez, desenhou seus alvos e abriu o mapa da guerra com aquele entusiasmo de quem acha que está escrevendo House of Cards, mas ainda mora no Projac da ansiedade.
Cowboy colocou na mesa três nomes centrais para a próxima berlinda do BBB 26: Ana Paula Renault, Juliano Floss e Breno Corá. Até aí, meus fofoqueiros, eu já estava interessada. Aí ele decidiu caprichar no caos e especulou um paredão com Ana Paula, Chaiany Andrade e Milena Lages, na esperança de derrubar uma jogadora forte com torcida pesada. Eu tive que sentar direito no sofá, porque isso já deixou de ser estratégia básica e virou fantasia de diretor de elenco com tesão em capítulo especial.
Na conversa, Cowboy ainda lembrou o paredão de Babu Santana como referência de embate grande e disse achar que Ana Paula poderia rodar numa disputa com Chai e Milena, justamente por considerar que as duas concentram torcidas muito fortes. É aquele raciocínio clássico de reality que parece genial no quarto, com cara de plano mirabolante, mas às vezes explode na testa do próprio autor na noite de domingo. Eu mesma já achei ideia ruim com convicção e, cinco minutos depois, já estava pensando “e se ele estiver vendo um palmo adiante?”. A autocrítica me humilha, mas eu sigo.
Só que Jonas, que claramente queria chegar ao Top 10 sem fazer cosplay de mártir, ouviu a engenharia do apocalipse e tratou de puxar o grupo para a realidade. Disse que a jogada era “muito arriscada” e praticamente impossível, lembrando que até movimentos parecidos no passado dependeram de sorte e de dinâmica favorável. Traduzindo do dialeto do confinamento para o português do camarote: ele enxergou que esse paredão forte podia virar o famoso all in que acaba com a banca e com a pose.
Meus amores, eu gosto muito desse momento em que uma aliança para de parecer bloco fechado e começa a soar como reunião de condomínio com gente discordando do orçamento da piscina. Cowboy estava no modo “tudo ou nada”. Jonas, no modo “eu quero continuar respirando aqui dentro”. E esse desalinhamento ficou ainda mais claro quando o líder desenhou outra hipótese usando a Máquina do Poder, a caixinha comprada para interferir na formação do paredão. Pela conta dele, seria possível indicar Ana Paula, colocar Milena em outro ponto da dinâmica, empurrar o voto da casa para um nome como Jordana e ainda abrir espaço para contragolpe e Bate e Volta. Na cabeça dele, um tabuleiro sofisticado. Na prática, uma torre de Jenga feita com ego, torcida e excesso de confiança.
Jonas rebateu de novo. Disse que não era favorável à tentativa, porque, se desse errado e ele não voltasse do Bate e Volta, quem iria embora seria ele. E eu preciso dizer, com a taça imaginária na mão e o juízo oscilando, que ele tem razão em uma coisa muito básica: plano bonito em reality é o que sobrevive ao domingo. O resto é tese de bar, powerpoint sem orçamento e delírio de estrategista que se apaixona pela própria ideia.
Cowboy insistiu. Disse que, naquele momento deles, a lógica era “tudo ou nada”. Jonas respondeu com uma frase que vale quase uma tese de sobrevivência no BBB: “Alberto, eu quero chegar no Top 10”. Eu ri, confesso. Ri porque enquanto um queria escrever um capítulo épico, o outro queria só não virar personagem sacrificial de madrugada. Um sonhando com a jogada histórica, outro fazendo conta de permanência. Shakespeare de pulseirinha da Xepa.
O que essa conversa escancara, meu povo, é que o quarto do líder virou sala de roteiro de série cara, com um protagonista tomado pela adrenalina do poder e um coadjuvante esperto o bastante para perceber que coragem demais, no BBB, costuma ser apenas imprudência maquiada para o VT. Cowboy quer um paredão para entrar na história. Jonas quer continuar dentro da casa para contar essa história depois.
Eu fecho essa nota como comecei, meio fascinada, meio cansada da humanidade confinada, pensando que o líder montou um plano que pode render aplauso ou atestado de imprudência premium. E reality, vocês sabem, adora punir quem confunde ousadia com imunidade.